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O último trabalho publicado na seção de Artigos Cientícos é Sobre a
inter-relação entre desbordamento social e espaço terapêutico, que com-
partilha com o anterior o fato de ser fruto de um processo de pesquisa,
e ambos os dois constroem uma espécie de ponte conceitual com a se-
guinte seção, dedicada especicamente à Pesquisas. Neste caso, tra-
ta-se de um trabalho coletivo realizado pela Ocina de Pesquisa do Cen-
tro de Psicoterapia Psicanalítica de Lima. Mais uma vez vemos presente
a conexão entre certas circunstâncias sociais, aqui caracterizadas como
“desbordantes”, e a produção de subjetividade, com as consequências
que isso implica para o trabalho e a reexão psicanalítica. Combinam-se
métodos tradicionais de registro do trabalho terapêutico com a partici-
pação coletiva na construção explicativa do caso. O intuito é trabalhar
em um paradigma hermenêutico-histórico, ou seja, produzir um tipo de
interpretação contextualizada. Para isso, é necessário assumir critica-
mente que terapeutas e pacientes estão envolvidos em uma circuns-
tância cultural comum, em que conceitos como amor, ódio, medo, racis-
mo... adquirem matizes próprios. Em um contexto social que propicia a
fragmentação em diversos níveis, o trabalho de pesquisa coletiva ajuda
a pensar as implicâncias que isso acarreta e prepara para intervenções
clínicas mais integradoras.
A Seção da Diretoria de Pesquisas da FLAPPSIP apresenta dois artigos
cujo eixo comum é reetir sobre as diferentes formas de produzir e vali-
dar novos conhecimentos em nossa disciplina. Cada um deles tem uma
direção diferente. Por um lado, Ocina de pesquisa psicanalítica do CPPL:
nossa experiência de pesquisa coletiva, de Laura Soria, retoma a experiên-
cia do trabalho em grupo do CPPL que ilustra o artigo já resenhado. En-
quanto isso, por outro lado, Psicanálise e pesquisa. Reexões em primeira
pessoa, de Beatriz M. Rodríguez, aborda a potencialidade do trabalho
pessoal, em um duplo sentido. De algum modo, volta à autoanálise de
Freud, o único analista que não foi analisado, e, a partir desse material,
a autora propõe seu próprio olhar de analista, apontando para descons-
truir “a lenda biográca”.
Em ambos os artigos, além das conclusões que possam ser extraídas,
é interessante acompanhar a descrição dos processos intencionais que
sustentam ambos os modos de abordar o conhecimento em psicanálise,
não sendo os únicos modos. Isso ca consignado na Introdução à Seção
onde a Diretora de Pesquisa da FLAPPSIP, Marta De Giusti, coloca que
as perguntas sobre pesquisa em psicanálise “abrem um campo de pro-
blemas complexo, diverso, talvez em alguns pontos contraditório e/ou
de difícil resposta, pelo que decidimos que o formato para abordá-las e
colocá-las em prática adquiria para nós a gura de um debate de ideias
a partir das diferentes experiências sobre o tema”. Seja trocando ideias
em diálogos concretos, ou virtualmente através da publicação de diver-
sas experiências, nossa disciplina avança em direção a territórios de va-
lidação que a afastam do ingênuo recurso ao princípio de autoridade.
Na seção de Entrevistas, apresentamos diálogos com mulheres relevan-
tes na produção psicanalítica de nossa região. Por um lado, Mabel Burin,