INTERCAMBIO PSICOANALÍTICO, 15 (1), 2024, pp 64 - 70
ISSN 2815-6994 (en linea) DOI: doi.org/10.60139/InterPsic/15.1.5
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FRENTE A LA DESMESURA Y EL
DESAMPARO, EL ARMADO DE
UNA CUBETA QUE POSIBILITE
LOS TRABAJOS DE DUELO
EN ADOLESCENTES.
FRENTE À DESMESURA E AO
DESAMPARO, O ARMADO DE UMA TINA
QUE POSSIBILITE OS TRABALHOS
DE LUTO EM ADOLESCENTES.
IN FRONT OF THE EXCESSIVE AND THE
HELPLESSNESS, THE ARMING OF A
BUCKET THAT ALLOWS THE WORK OF
MOURNING IN ADOLESCENTS.
Eugenio Lafón Nieto
Asociación Argentina de Psiquiatría y Psicología de la Infan-
cia y la Adolescencia
ORCID: 0009-0006-3095-9126
Correo Electrónico: eugenieto28@gmail.com
Fecha de recepción: 18-04-2024
Fecha de aceptación: 26-05-2024
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Lafón Nieto E. (2024) FRENTE A LA DESMESURA Y EL DESAMPARO, EL ARMADO DE
UNA CUBETA QUE POSIBILITE LOS TRABAJOS DE DUELO EN ADOLESCENTES.
Intercambio Psicoanalítico 15 (1), DOI: doi.org/10.60139/InterPsic/15.1.5/
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I. Introdução
A pandemia do COVID 2019 e o isolamento obrigatório deteve – ou adian-
tou-se à emergência de – processos de luto em adolescentes, de seus as-
pectos infantis, e os lutos pelas perdas de seus estimados caram detidos
no tempo.
Acrescenta-se a este fato a incapacidade dos adultos para exercer uma
função alfa, que ligue, simbolize ou abra uma perspectiva de um futuro
possível para ser empossado e sonhado. Situações continuas que exigem
um processamento constante de grandes cúmulos e altas voltagens de
informação/desinformação.
Isolamento obrigatório e fechamento em casa com as famílias completas,
diga-se de passagem, que, em muitos casos, pela vertigem neoliberal e tec-
nológica, praticamente nunca tinham-se encontrado em um mesmo lugar
por períodos tão prolongados de tempo – pensando no confronto constante
que pode apresentar para uma mente adolescente compartilhar 24/7 com
os familiares dos quais estavam em um processo de diferenciar-se, afas-
tar-se, tornar-se independentes, e substituir seus discursos pelos de outros.
Durante o aspo (isolamento social preventivo e obrigatório no território ar-
gentino; Decreto n 260 com data 12 de março de 2020, pela emergência pú-
blica em matéria sanitária estabelecida pela lei n° 27.541, pelo prazo de um
ano em virtude da pandemia, estabelece-se a proibição de movimentar-se
por estradas, rodovias, e espaços públicos, a m de previr a circulação e o
contagio do vírus COVID- 19). Que tinas foram possíveis? Foram possíveis?
Nossa hipótese é que se requer de uma tina para a construção de uma tina
para atravessar um luto, o espação analítico é uma opção - não a única –
Vamos comentar algumas execuções post-período crítico do COVID E como pos-
sibilitaram abrir jogo, aumentar a complexidade e percorrer os processos de luto.
O percorrido vai nos levar a passar pelos diferentes autores: Freud, Laplanche,
Bleichmar, Bion, Moguillansky, Yago F, Cartoriadis.
II. A função alfa na construção de uma tina, a tina da função alfa.
“A experiência analítica aumenta a capacidade do paciente para sofrer mesmo
quando o paciente o analista possam desejar diminuir a dor do mesmo” (BION 2000
PAG 87). Moguillansky (2016) falará da relação da palavra como continente da
dor, que permite sua presença e sua expressão de maneira gurada, con-
teúdo na palavra, que protege o sujeito de experimentar a dor de maneira
intempestiva.
Entre essas coisas, a relação da dor com um continente nos levou a pen-
sar na articulação entre função alfa – de Bion – e a construção de uma
tina, como elementos indispensáveis para o trabalho do luto.
Em relação à função alfa, Bleichmar nomeia que, no encontro com o ca-
chorro humano, o adulto implanta sexualidade, energia a ser evacuada;
e também fornecerá o caráter para ligar, simbolizante para essa energia.
FRENTE À DESMESURA E AO DESAMPARO,
O ARMADO DE UMA TINA QUE
POSSIBILITE OS TRABALHOS DE
LUTO EM ADOLESCENTES.
Eugenio Lafón Nieto1
1 Eugênio Lafón Nieto. Graduado
em Psicologia (UNLP). Pós-graduado
em Psicanálise da Infância e
Adolescência – ASAPPIA. Professor
de pós-graduação da ASAPPIA.
Ele publicou recentemente
Fantasía, Imaginación Radical
y cuerpo representacional
encontroversiasonline.org.ar/No
33/2023. Amante de teatro.
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A função alfa deve operar captando, contendo, organizando, ligando, sim-
bolizando tudo o que resta não simbolizado, os elementos betas. Estes
últimos, não podem ser entrelaçados no aparelho, o “EU” não pode apro-
priar-se deles.
Pegar elementos de alta voltagem, elementos sem referência a um siste-
ma em particular e realizar um trabalho de colocar em relação, colocação
em palavras, e que o torne pensável para o “EU”. Que exerça a função alfa
deve também ser garante e abrir uma perspectiva de futuro.
Pegamos de Bion esta ideia, que haja alguém que garanta que os elemen-
tos se tornem pensáveis para o aparelho do cachorro. Para que mais na
frente possa exercer essa função por si mesmo, e pensar em seus pen-
samentos, mas também lhe possibilita a captação de experiências. Nós
diremos, tornar certos elementos pensáveis, elementos das vivencias,
fazê-los complexos – por relação a outros – dar-lhes uma primeira capa
de simbolização, torná-los experiências apropriáveis para o “EU”, e numa
segunda instância, outra capa de complexidade seria tornar ditos pensa-
mentos, objetos de reexão.
Por que consideramos fundamental essa função?
Construir – em conjunto com o paciente – um espaço onde seja possível
pensar e que os elementos sobre os que se trabalha não permaneçam
imutáveis – função alfa –
Se o paciente não pode “pensar” com seus pensamentos, é dizer, que
tem pensamentos, mas carece do aparelho de “pensar” que lhe permite
usar seus pensamentos, pensá-los, por dizer assim, o primeiro resulta-
do é uma intensicação da frustração porque falta o pensamento que
deveria fazer “possível para o aparelho mental o fato de suportar uma
tensão incrementada durante uma demora “no processo de descarga.
(BION 1987 –pág. 115/116).
Construir um espaço de contenção e suporte, que guarde certa regularidade
e constância no ambiente, para que os pacientes comecem a experimentar
a contenção da palavra, a contenção de um espaço que protege sua auto-
nomia de pensamento, e que este espaço está disponível para transformar
os elementos mais atemorizadores; possibilita pouco a pouco a apertura
de seus pensamentos dentro de outro continente compartilhado. E a pos-
sibilidade de usar os pensamentos para uma descarga em demora e ligada.
Retomamos a cita de Bion “A experiência analítica aumenta a capacidade
do paciente para sofrer mesmo quando o paciente e o analista podem
desejar diminuir a dor mesma (BION 2000 pág. 87).
Vamos mais devagar “aumenta a capacidade do paciente para sofrer” du-
rante um período de tempo o analista se encarregará de exercer a função
alfa, fazendo com que certos elementos sejam pensáveis para o paciente.
A distância que leva à reexão será incorporada pelo paciente como um
recurso próprio, a experiência analítica mesma, o trabalho em conjun-
to constituirá uma constelação de representações que vêm ao auxílio do
pensamento do paciente quando for necessário. O pensamento conjunto
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torna-se reexão, pode ir e voltar sobre os elementos e fazê-los objetos
pensáveis, exercer por si mesmo a função posta em relação/simbolização/
ligação/construção de teorias, que aumentem a capacidade para sofrer.
III. A tina
“Se a psicanálise é um movimento de desligamento, é um movimento
apavorante, horroroso, e só pode ser suportado no interior de certo qua-
dro, de certo enquadramento”. (Laplanche vol4. 1990 pág. 18).
Laplanche dirá que se requer certa energia para que haja envoltura possível.
É essa energia a que gera a capacidade de produzir um trabalho entre o
exterior e o interior, e pegando a citação acima, os pacientes só suportam
o trabalho – de luto – dentro da envoltura que se constrói com o analista.
E se pergunta:
A questão de partida será a seguinte: existe uma relação inter-humana
especicamente analítica? Como é denida uma relação analítica respei-
to a situações e as relações simplesmente da vida quotidiana? A relação
da palavra, as transferências, ou incluso as interpretações, isso existe no
diaa-dia, isso tem existido historicamente antes da análise, isso existe fora
da análise. (Laplanche 1987 pág. 15).
Para que isto aconteça, se gera uma situação inteiramente constituída
para esse efeito uma formação articial, fabricada -. Esta formação in-
clui e exclui alguma coisa. Traça um limite. As regras da análise, instauram
um espaço, um questionamento das regras que funcionam como beiras
da tina, que permitem ali dentro – dentro do contexto que dá um dia, um
horário – uma demonstração no dizer, a regra fundamental. “Fale-me de
tudo o que lhe passa pela cabeça”. E não no fazer; um dentro e um fora.
Assim é feito exame da imagem da tina.
Retomando o exposto, pensamos que exercer a “função alfa” por parte
do analista, sobre certos elementos – que por sua origen – sua voltagem,
ou pela pouca “maya representacional” de base de que se dispõe – não
podem ser ligados ao tecido de base; possibilita a apertura do paciente a
compartilhar nomeados elementos para ser elaborados em um espaço
conjunto, um espaço que sem ser uma garantia completa, garante um
certo envoltório, certo limite, acompanhamento e trabalho em conjunto
que resguarda para começar a trabalhar certos pensamentos, certas liga-
ções ao objeto perdido e mesmo sem começar continuar seu desenoda-
mento.
Algo disto é o que pensamos, possibilita a apertura a pensar sobre elementos
dolorosos, como me disse uma vez um paciente: “quando começamos de for-
ma virtual, eu via-te pequeno – pelo celular – é como se eu te houvesse criado”
Aquí a tina permitiu construir um outro que a ajudasse a processar ele-
mentos, alguém até criado por ela mesma, que não ameaçava desde fora,
senao que ligava desde dentro.
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IV. Trabalho de luto. Desinvestidura dos laços libidinosos com o ob-
jeto. Dor
“O luto é, regra geral, a reação frente à perda de uma pessoa amada ou
de uma abstração que faça suas vezes, como a pátria, a liberdade, um
ideal, etc”. (Freud tomo xiv pág. 241). O luto como reação frente à per-
da de um objeto – em senso amplio- armado implica: a perda de inte-
resse pelo mundo exterior – o mundo virou pobre e vazio – a perda da
capacidade para escolher algum novo objeto de amor; o estranhamento
respeito de qualquer trabalho produtivo que não tenha relação com a
memoria do objeto perdido. Este estreitamento nos recursos dos que dis-
põe o “eu” exprimem uma entrega ao trabalho de luto, que absorve o EU
e o deixa com pouco resto disponível para os propósitos ou interesses.
Do que se trata o processo de luto? Frente ao exame, o EU conrma que
o objeto amado já nao existe mais, o laço com o objeto subsiste, e vê-se
exortado de tirar toda libido de seus ligamentos com o objeto. E embora
o homem não deixe com vontade uma posição libidinosa, o normal é que
prevaleça o acatamento a nomeada exortação.
[É] o respeito a realidade […] prevalece sobre o lace afetivo: a
realidade exige que o sujeito transmute, ou até aniquile, o seu vín-
culo com urna pessoa que já não está presente. Mas esse “fazer seu
luto”, esse respeito pela realidade, não prevalece num abrir e fechar
de olhos. (Laplanche 1988 pág. 296).
Executa-se peça por peça com um grande gasto de tempo e ener-
gia de investidura, e, entretanto, a existência do objeto perdi-
do continua no psíquico. Ao terminar afasta-se o gasto necessário.
Para Laplanche …”quem realizar um luto se fecha em um certo espaço
e dá-se a si mesmo certo tempo”. (Laplanche vol4. 1190 pág. 13). E por
esta proteção, essa reserva espaço-temporal, opera no trabalho de luto,
e assim possibilita que cada uma das lembranças nas quais a libido está
ligada ao objeto, seja sobre investido e sobre cada uma – lembranças e
esperanças – seja realizado o trabalho de desligamento da libido.
Pode ser, que no luto, perda de uma pessoa estimada – sejam perdi-
das ou despojadas constelações de representações e que por isso se
experimentem efrações no corpo – corpo como limite, corpo como
unidade do eu, continente, corpo representacional – produzindo dor?
Conhecemos por outra parte a explicação que Freud do respeito a dor. É
uma explicação “econômica”; a dor é sempre um auxo de energia que
vem a quebrar – ou ameaça com quebrar uma barreira, um limite (conce-
bido como limite do organismo, ou mesmo cutâneo, ou como a barreira
ou a fronteira do eu). Portanto, auxo de energia, ruptura de uma barrei-
ra, e terceiro elemento: fenômeno de contra investimento, é dizer, mo-
vilização de energia para substituir a barreira estática por uma barreira
dinâmica. (Laplanche 1988 pág. 297).
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A energia da dor, não ligada, desencadeada, pode ser ligada, mas traz um
empobrecimento do conjunto do sistema, dado que está obrigado a reu-
nir energias nesse ponto. As outras atividades empobrecidas.
A reação dolorosa substitui ao limite estável da proteção antiestimulo
que se viu fragmentada com a perda do objeto. A reação dolorosa fará as
vezes de limite funcional, de conexão, e dita conexão modicará a brecha
aberta na envoltura.
V. luto, imaginação radical, transguração e…
Queremos nomear em um pequeno parágrafo a potência do trabalho do luto.
Ligando o já falado previamente, as ideias de Castoriadis da imaginação
radical, como o esforço da psique por dar-lhe gura/envoltura/mode-
lagem/forma pensável a certos elementos, e pegando de Yago Franco
“transgurações: criação e mudança de guras psíquicas e sociais”. (Yago
2022. Pág.77).
Quando o trabalho de luto, deste desamarrar ponto a ponto cada lem-
brança ligada ao objeto perdido, fazer um trabalho sobre cada vínculo
libidinal, para depois, investir outros objetos, e investir também o objeto
perdido na fantasia, é transformador dos conglomerados representacio-
nais? Quanto do trabalho do luto, consiste em encontrar novas guras/
envolturas/formas a aquele objeto perdido?
Quanto do trabalho de luto consistiria em transgurar certas imagens, que
no trabalho de desmaranhamento se da por uma ampliação do tecido re-
presentacional? Quanto do trabalho de luto, pensando-o desde a potência
da imaginação radical, um uxo de representações afetos e desejos, tem
a potência a autonomia para continuar envolvendo, relacionando, simbo-
lizando, ligando, investindo, transformando a mentalidade do aparelho?
Queremos ilustrar brevemente com duas linhas clínicas: um adolescente
que durante a pandemia perdeu a sua avó, vinculo de suporte amoroso e
vinculo que regulava o funcionamento familiar, questão que se viu descom-
pensada; se encontrou convivendo com o grupo familiar inteiro, de repente,
quando pelo ritmo de vida que levavam, era realmente difícil encontrar-se
todos juntos num mesmo espaço. Aquela convivência, representava uma
ameaça para seu aparelho respeito à magnitude de energia em circulação
e sem conexão que geravam cotidianamente. A defensa que encontrou
foi uma retratação que impossibilitou tanto a expressão das questões do-
lorosas, um possível pedido de ajuda, mas tampouco receber pequenas e
perdidas expressões amorosas envolventes de seus familiares ou amigos.
O primeiro tempo de trabalho consistiu em processar juntos o período
de isolamento obrigatório, até que a envoltura das palavras, dos jogos,
construíram um espaço onde a dor e possível de ser sentida sem ser
ameaçante, já que podia ser conteúda e trabalhada em conjunto. Foram
aparecendo aos poucos elementos sobre o luto que tinha sido colocado
entre parêntese.
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Outro exemplo que nos pareceu interessante, é aquele de um jovem que
depois e muito trabalho pela perda de sua mãe, e na medida em que a
vida voltasse a tomar cor e consistência apareceu o medo ao esquecido.
Pensamos que sendo a dor a marca de que o outro ainda está presente
em mim, já que a dor ocupa o lugar na membrana quebrada pela ausên-
cia real do objeto, o alivio gradual que traz o trabalho de desemaranha-
mento, ligação e investimento de novos objetos e atividades, traz consigo
esse temor ao esquecido. Temor ao esquecer para sempre e que apareça
um buraco.
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