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I. Introdução
A pandemia do COVID 2019 e o isolamento obrigatório deteve – ou adian-
tou-se à emergência de – processos de luto em adolescentes, de seus as-
pectos infantis, e os lutos pelas perdas de seus estimados caram detidos
no tempo.
Acrescenta-se a este fato a incapacidade dos adultos para exercer uma
função alfa, que ligue, simbolize ou abra uma perspectiva de um futuro
possível para ser empossado e sonhado. Situações continuas que exigem
um processamento constante de grandes cúmulos e altas voltagens de
informação/desinformação.
Isolamento obrigatório e fechamento em casa com as famílias completas,
diga-se de passagem, que, em muitos casos, pela vertigem neoliberal e tec-
nológica, praticamente nunca tinham-se encontrado em um mesmo lugar
por períodos tão prolongados de tempo – pensando no confronto constante
que pode apresentar para uma mente adolescente compartilhar 24/7 com
os familiares dos quais estavam em um processo de diferenciar-se, afas-
tar-se, tornar-se independentes, e substituir seus discursos pelos de outros.
Durante o aspo (isolamento social preventivo e obrigatório no território ar-
gentino; Decreto n 260 com data 12 de março de 2020, pela emergência pú-
blica em matéria sanitária estabelecida pela lei n° 27.541, pelo prazo de um
ano em virtude da pandemia, estabelece-se a proibição de movimentar-se
por estradas, rodovias, e espaços públicos, a m de previr a circulação e o
contagio do vírus COVID- 19). Que tinas foram possíveis? Foram possíveis?
Nossa hipótese é que se requer de uma tina para a construção de uma tina
para atravessar um luto, o espação analítico é uma opção - não a única –
Vamos comentar algumas execuções post-período crítico do COVID E como pos-
sibilitaram abrir jogo, aumentar a complexidade e percorrer os processos de luto.
O percorrido vai nos levar a passar pelos diferentes autores: Freud, Laplanche,
Bleichmar, Bion, Moguillansky, Yago F, Cartoriadis.
II. A função alfa na construção de uma tina, a tina da função alfa.
“A experiência analítica aumenta a capacidade do paciente para sofrer mesmo
quando o paciente o analista possam desejar diminuir a dor do mesmo” (BION 2000
PAG 87). Moguillansky (2016) falará da relação da palavra como continente da
dor, já que permite sua presença e sua expressão de maneira gurada, con-
teúdo na palavra, que protege o sujeito de experimentar a dor de maneira
intempestiva.
Entre essas coisas, a relação da dor com um continente nos levou a pen-
sar na articulação entre função alfa – de Bion – e a construção de uma
tina, como elementos indispensáveis para o trabalho do luto.
Em relação à função alfa, Bleichmar nomeia que, no encontro com o ca-
chorro humano, o adulto implanta sexualidade, energia a ser evacuada;
e também fornecerá o caráter para ligar, simbolizante para essa energia.
FRENTE À DESMESURA E AO DESAMPARO,
O ARMADO DE UMA TINA QUE
POSSIBILITE OS TRABALHOS DE
LUTO EM ADOLESCENTES.
Eugenio Lafón Nieto1
1 Eugênio Lafón Nieto. Graduado
em Psicologia (UNLP). Pós-graduado
em Psicanálise da Infância e
Adolescência – ASAPPIA. Professor
de pós-graduação da ASAPPIA.
Ele publicou recentemente
Fantasía, Imaginación Radical
y cuerpo representacional
encontroversiasonline.org.ar/No
33/2023. Amante de teatro.