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RESENHAS DE LIVROS
RESEÑAS
DE LIBROS
BOOK REVIEWS
INTERCAMBIO PSICOANALÍTICO, 15 (1), 2024, pp 158 - 161
ISSN 2815-6994 (en linea) DOI: doi.org/10.60139/InterPsic/15.1.13
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LA EFICACIA TERAPÉUTICA
DEL PSICOANÁLISIS
A EFICÁCIA TERAPÊUTICA
DA PSICANÁLISE
THE THERAPEUTIC EFFICACY
OF PSYCHOANALYSIS
Nora Sternberg Rabinovich
Asociación escuela Argentina de Psicoterapia para Graduados
ORCID: 0009-0001-9852-0244
Correo electrónico: norarabinovich@gmail.com
Recibido: 12-05-2024
Aceptado: 26-05-2024
Para citar este artículo / Para citar este artigo / To reference this article
Sternberg Rabinovich N.. (2024) LA EFICACIA TERAPÉUTICA DEL PSICOANÁLISIS
Intercambio Psicoanalítico 15 (1), DOI: doi.org/10.60139/InterPsic/15.1.13/
Creative Commons Reconocimiento 4.0 Internacional (CC By 4.0)
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Osvaldo Maltz é Psicanalista, Mestre em Psicanálise, supervisor clínico
e jurado de tese na Universidade Nacional de La Matanza. Lecionou na
Faculdade de Psicologia da Universidade de Buenos Aires e nos semi-
nários de pós-graduação da Associação Argentina de Psicoterapia para
Graduados (AEAPG), instituição da qual é membro titular. Publicou inú-
meros artigos e trabalhos apresentados em congressos e conferências
cientícas. Nesta ocasião comentaremos seu livro A Ecácia Terapêutica
da Psicanálise. O livro é apresentado em sua nota editorial da seguinte
forma:
Os novos modelos culturais marcados pelo pós-modernismo e pela glo-
balização desubjetivante oferecem a promessa de soluções rápidas, a
fascinação pelo imaginário, a ilusão do ilimitado e o desprezo pela re-
exão e busca da verdade, que constituem eternos paradigmas da psi-
canálise.
A ecácia terapêutica impulsiona a clínica psicanalítica, que não pode se
sustentar em uma mera ambição intelectual de conhecer o inconsciente.
Lacan enfatiza um interesse contínuo pelos resultados da análise quan-
do arma que “a cura vem por acréscimo” e esclarece que nosso dever
como analistas é melhorar a posição do sujeito.
A ecácia especíca da prática analítica reside no acesso a um ou-
tro modo de leitura que permita atribuir novos sentidos que abalem
xações parasitárias. Não propõe um ideal de normalidade, mas se inte-
ressa pela escuta da singularidade de cada demanda particular.
Em tempos da insuportável leveza do ser, em um mundo egocêntrico
onde reina a comunicação banal, o culto ao infantilismo psíquico, a cap-
tura da aparência, a expansão de prazeres narcisistas e consumistas, a
escuta analítica oferece a oportunidade de dar voz ao sofrimento psí-
quico.
Este livro constitui uma ferramenta para questionar como a psicanálise
cura e sustentar o desao que as demandas terapêuticas próprias do
mal-estar cultural de nossa época implicam.
A clínica atual nos apresenta novos questionamentos e desaos nos mo-
dos de abordagem e nos recursos técnicos utilizados quando a inter-
venção analítica precisa lidar com o inrepresentável, não signicado ou
inventado, pois é um terreno além do levantamento das repressões, da
recuperação de memórias infantis e da elaboração de representações
dolorosas.
Nos dias de hoje, a tarefa analítica tem um valor agregado que é a criação
das condições de possibilidade para que um paciente se torne sujeito.
Nesse sentido, a construção contribui para essa função subjetivante ao
escrever uma história, criar trechos escriturais faltantes, inventar o psí-
quico.
“Um livro cujo título é precisamente A ecácia terapêutica da psicanálise
vem ocupar um espaço necessário, imprescindível, não para resolver de
forma denitiva as dúvidas que surgem, mas para manter os temas em
movimento e sugerir caminhos que nos auxiliem no dia a dia de nossa
tarefa” (Prólogo, Hugo Litvino)
A EFICÁCIA
TERAPÊUTICA
DA PSICANÁLISE
Resenha realizada por
Nora Sternberg
Rabinovich1
1 Graduada em Psicologia
pela Universidade de Buenos
Aires. Professora da AEAPG em
convênio com a UNLAM. Ex-
secretária cientíca da AEAPG.
Ex - delegada da AEAPG na
FLAPPSIP. Supervisora do Centro
de Orientação e Pesquisa Dr.
Arnaldo Rascovsky. Coautora
do livro Modelo para armar,
la constitución del psychismo,
compilado por Graciela Jaimsky. É
autora de inúmeras obras sobre
diferentes temas da psicanálise.
INTERCAMBIO PSICOANALÍTICO, 15 (1), 2024, pp 158 - 161
ISSN 2815-6994 (en linea) DOI: doi.org/10.60139/InterPsic/15.1.13
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Na nossa opinião este livro convoca o leitor, psicanalista, a se identicar
com os questionamentos de nossa época como praticantes da psicaná-
lise, identicados tão bem pelo autor.
Interrogações como uma bússola que nos permite percorrer uma trama
teórica que não se contenta apenas com Freud ou Lacan, mas se abre
para outros autores, gerando diferentes perspectivas.
O recurso de iniciar os diferentes capítulos com citações literárias ante-
cipa o que vamos ler, tornando evidente a armação freudiana de que o
poeta antecipa o psicanalista.
Os capítulos são ágeis, contendo as páginas necessárias para a apresen-
tação e argumentação de cada problema clínico, sem meandros desne-
cessários, de maneira clara, acessível e com fundamentos sólidos, geral-
mente ilustrados por vinhetas clínicas.
Os questionamentos que Osvaldo levanta não são leves, por exemplo:
O que se pretende com a cura analítica? Ou quais modalidades de in-
tervenção do analista podem ser as indicadas? Especialmente quando
não se trata apenas de levantar repressões, mas de inventar o psíqui-
co, aquilo que continua a não ser escrito, construindo, através da cons-
trução, ao melhor estilo freudiano, uma trama simbólica “que permi-
ta dar borda ao buraco (vazio representacional) como um tecido que
amarra e restitui, (...) delimitando o gozo pulsional”. A construção, como
intervenção diferencial da interpretação, é considerada por alguns auto-
res como uma modalidade de intervenção no registro do real. O autor
argumenta profundamente sobre a validade de seus recursos na hora
de intervir, sem se ater a fórmulas universais e validando aquilo que vai
além da interpretação do reprimido.
Problemas clássicos da psicanálise, como lutos, traumas, adições, neu-
roses e perversões, são abordados a partir da colheita pessoal do autor,
generosamente nos oferecendo o que ele colheu ao longo de sua traje-
tória.
A propósito da histeria, ele aponta que a histérica não se faz representar
pelo sintoma da mesma forma que um signicante representa o sujei-
to para outro signicante na associação livre à qual o analista convida,
mas sim se mostra com o corpo na cena transferencial. A vinheta clínica
é muito oportuna para que o leitor possa entender claramente a que
se refere e de que maneira é possível operar para que o que não tem
palavra possa entrar no discurso analítico. Isso não signica que ele pre-
tenda generalizar intervenções que sempre serão operativas se respei-
tarem a singularidade do sujeito e de seu tempo transferencial. Esta é
uma questão que o autor destaca desde o primeiro capítulo.
Osvaldo nos faz cientes de suas reexões e incertezas sobre como in-
tervir quando aquilo que se apresenta está fora da palavra e quando
ele arrisca uma intervenção, sabe que ela é sem garantias. Seu efeito
será visto posteriormente. Assim, ele aponta uma diferença entre o que
ocorre por meio da associação livre e o que é dado a ver na cena, legiti-
mando as intervenções não interpretativas.
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Ao contrário dos pós-freudianos, ele considera que nem tudo o que
ocorre em uma análise precisa ser passível de interpretação. Ele abre a
possibilidade de intervenções nos três registros, real, simbólico e imagi-
nário, cujo centro é sempre o objeto freudiano da pulsão.
Na seção intitulada “Idealização de novos paradigmas”, ele diz: “(...) o
intercâmbio interdisciplinar e interdiscursivo também pode se tornar
uma suposição expectante de um discurso não submetido à castração,
buscando um discurso mestre, hegemônico, que forneça respostas ab-
solutas e satisfatórias”, armação que o autor relaciona às vicissitudes
narcisistas dos analistas na busca ilusória de uma teoria que idealmente
responda a tudo o que se apresenta na clínica, apontando assim que a
negação da castração não é alheia aos psicanalistas.
A corrupção aparece no texto quase como uma entidade clínica que me-
rece reexão, citando: “O corrupto, em suas múltiplas apresentações,
estaria veiculando a livre satisfação pulsional, em uma posição sádica
torna-se mestre dominante, uma versão atualizada do pai da horda pri-
mordial”. Como vemos, o autor não hesita em nos fazer chegar suas
apreciações sobre temas desconfortáveis tanto para seus colegas como
para outros sociais, sem pretender um olhar sociológico, mas estrita-
mente psicanalítico.
Não quero concluir este comentário sem mencionar os efeitos no sujei-
to, como aponta o autor, dos mal-estares na cultura de nosso tempo,
prenhes do discurso capitalista. Ele enfatiza a sempre falha operação
da lei paterna, mas se detém em singularizar as características que essa
falha assume em relação à época.
Em relação às diculdades na simbolização e ao impulso para a impulsi-
vidade, características da época, que muitas vezes foram diagnosticadas
como patologia borderline, o autor argumenta profundamente que se
trata de neuroses, já que estas não estão isentas de se mostrar em vez
de dizer-se.
Este livro é o legado de uma jornada pelas problemáticas mais canden-
tes e atuais que a psicanálise nos apresenta, um legado para aqueles
que estão aqui e para os que virão. Não é preciso dizer que recomendo
sua leitura.