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Osvaldo Maltz é Psicanalista, Mestre em Psicanálise, supervisor clínico
e jurado de tese na Universidade Nacional de La Matanza. Lecionou na
Faculdade de Psicologia da Universidade de Buenos Aires e nos semi-
nários de pós-graduação da Associação Argentina de Psicoterapia para
Graduados (AEAPG), instituição da qual é membro titular. Publicou inú-
meros artigos e trabalhos apresentados em congressos e conferências
cientícas. Nesta ocasião comentaremos seu livro A Ecácia Terapêutica
da Psicanálise. O livro é apresentado em sua nota editorial da seguinte
forma:
Os novos modelos culturais marcados pelo pós-modernismo e pela glo-
balização desubjetivante oferecem a promessa de soluções rápidas, a
fascinação pelo imaginário, a ilusão do ilimitado e o desprezo pela re-
exão e busca da verdade, que constituem eternos paradigmas da psi-
canálise.
A ecácia terapêutica impulsiona a clínica psicanalítica, que não pode se
sustentar em uma mera ambição intelectual de conhecer o inconsciente.
Lacan enfatiza um interesse contínuo pelos resultados da análise quan-
do arma que “a cura vem por acréscimo” e esclarece que nosso dever
como analistas é melhorar a posição do sujeito.
A ecácia especíca da prática analítica reside no acesso a um ou-
tro modo de leitura que permita atribuir novos sentidos que abalem
xações parasitárias. Não propõe um ideal de normalidade, mas se inte-
ressa pela escuta da singularidade de cada demanda particular.
Em tempos da insuportável leveza do ser, em um mundo egocêntrico
onde reina a comunicação banal, o culto ao infantilismo psíquico, a cap-
tura da aparência, a expansão de prazeres narcisistas e consumistas, a
escuta analítica oferece a oportunidade de dar voz ao sofrimento psí-
quico.
Este livro constitui uma ferramenta para questionar como a psicanálise
cura e sustentar o desao que as demandas terapêuticas próprias do
mal-estar cultural de nossa época implicam.
A clínica atual nos apresenta novos questionamentos e desaos nos mo-
dos de abordagem e nos recursos técnicos utilizados quando a inter-
venção analítica precisa lidar com o inrepresentável, não signicado ou
inventado, pois é um terreno além do levantamento das repressões, da
recuperação de memórias infantis e da elaboração de representações
dolorosas.
Nos dias de hoje, a tarefa analítica tem um valor agregado que é a criação
das condições de possibilidade para que um paciente se torne sujeito.
Nesse sentido, a construção contribui para essa função subjetivante ao
escrever uma história, criar trechos escriturais faltantes, inventar o psí-
quico.
“Um livro cujo título é precisamente A ecácia terapêutica da psicanálise
vem ocupar um espaço necessário, imprescindível, não para resolver de
forma denitiva as dúvidas que surgem, mas para manter os temas em
movimento e sugerir caminhos que nos auxiliem no dia a dia de nossa
tarefa” (Prólogo, Hugo Litvino)
A EFICÁCIA
TERAPÊUTICA
DA PSICANÁLISE
Resenha realizada por
Nora Sternberg
Rabinovich1
1 Graduada em Psicologia
pela Universidade de Buenos
Aires. Professora da AEAPG em
convênio com a UNLAM. Ex-
secretária cientíca da AEAPG.
Ex - delegada da AEAPG na
FLAPPSIP. Supervisora do Centro
de Orientação e Pesquisa Dr.
Arnaldo Rascovsky. Coautora
do livro Modelo para armar,
la constitución del psychismo,
compilado por Graciela Jaimsky. É
autora de inúmeras obras sobre
diferentes temas da psicanálise.