
INTERCAMBIO PSICOANALÍTICO, 15 (2), 2024, pp 142 - 154
ISSN 2815-6994 (en linea) DOI: doi.org/10.60139/InterPsic/15.2.12
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de uma pequena aproximação, um avanço físico. Quando um se inte-
ressa pelo outro, quando se importa com o outro, quando se preocupa
com o outro, é como se aquele movimento fosse direcionado, é como ir
em direção ao encontro, que está incluído nesta ideia, que é a ideia da
mãe que cuida, porque tem a ver com ir ao encontro, com encontrar-se
com o outro.
E essa ideia de cuidar, assim como o cuidado psicológico de cuidar do
paciente, em inglês é meet: encontrar-se, e aí me parece que está com-
pletamente na ordem do aspecto psicanalítico do encontro. Não é só in-
terpretar, mas tem que incluir sempre aquele elemento de atendimento
à necessidade, mesmo que seja o paciente mais neurótico e a transfe-
rência seja interpretada na ordem do Édipo, mas sempre com o que
Winnicott disse, eu me preocupo com meu paciente e me importo que
meu paciente esteja bem.
Winnicott pretende, como analista, estar vivo, atento e respirando, com
toda a sua vitalidade colocada a serviço do trabalho que realiza. Não é
apenas um sujeito técnico, mas também um sujeito vivo e interessado.
É a isso que se refere a atitude profissional, essa é a atitude. É a ideia
de ética, que você perguntou. É a vida do analista, não apenas a sua
formação, mas a sua própria vida, a sua própria história, a sua própria
análise. É por isso que para ele a análise não é didática, mas sim é uma
análise pessoal.
TC: Bem, em relação ao que estávamos falando sobre o movimento,
como pensaríamos desde Winnicott o imprevisível?
GLM: Olha, há duas coisas que vêm à mente. Uma é a ideia da capaci-
dade negativa, que é a tolerância de não saber, a tolerância de perma-
necer num estado de algo que não me garante nem me responde, mas
que me mantém na pergunta, porque não posso responder, ou porque
demora muito, ou porque a vida é, como você disse, imprevisível. Essa
capacidade negativa é uma conquista, um desenvolvimento de todos
nós, e é o oposto do fanatismo, que seria um conhecimento antecipado,
preconceituoso, que não considera o outro, mas sim como um objeto
pré-determinado, pode ser de desprezo ou de valorização, porque o fa-
nático também valoriza quem se parece a ele. E, portanto, essa condição
da relação com o outro, como outro humano, é evidência da capacidade
negativa, de não saber, de tolerar diferenças, de o outro não concordar
comigo, de o outro não responder ao meu desejo, de não ser um ser-
vo da onipotência. E esses elementos são fundamentais na clínica, pois
o desenvolvimento desses aspectos no analista como sujeito que não
sabe. Nesse sentido, a ideia de que não saber é relevante, estar exposto
ao outro como um sujeito completo, e do paciente como um sujeito que
na verdade provavelmente carece desses elementos em sua história,
por ter vivenciado coisas que o fazem consultar, é uma parte da clínica
que traça o caminho do narcisismo para a preocupação com o outro.