INTERCAMBIO PSICOANALÍTICO, 15 (2), 2024, pp 160 - 163
ISSN 2815-6994 (en linea) DOI: doi.org/Soza 10.60139/InterPsic/15.2.14
160 / FLAPPSIP
EL CONFLICTO POLÍTICO:
LO INNOMBRABLE
DEL CONFLICTO PSÍQUICO
O CONFLITO POLÍTICO:
A NATUREZA INOMINÁVEL
DO CONFLITO PSÍQUICO
THE POLITICAL CONFLICT:
THE UNNAMEABLE
OF THE PSYCHIC CONFLICT
Liliana Messina Schwartz
Sociedad Chilena de Psicoanálisis (ICHPA)
ORCID: 0009-0007-5243-1389
lilianapmessina@gmail.com.
Recibido: 27-10-2024
Aceptado: 04-11-2024
Para citar este artículo / Para citar este artigo / To reference this article
Messina Schwartz L. (2024) EL CONFLICTO POLÍTICO:
LO INNOMBRABLE DEL CONFLICTO PSÍQUICO
Intercambio Psicoanalítico 15 (2), DOI: doi.org/Soza 10.60139/InterPsic/15.2.14
Creative Commons Reconocimiento 4.0 Internacional (CC By 4.0)
161 / FLAPPSIP
Autores: María Luisa Azocar, Teresa Casté e Pilar Soza
Ano: 2003
Editado por: Gradiva, Revista da Sociedade Chilena de Psicanálise
ICHPA
A Pilar Soza, in memoriam
As autoras deste artigo María Luisa Azocar, Teresa Casté e Pilar Soza se
reúnem para escrever este trabalho principalmente por um vínculo de
amizade, por compartilhar um espaço de trabalho e ambientes teóricos
semelhantes. Surge de uma proposta de Teresa Casté que trabalha, em
outro artigo, os conceitos de Pichón Riviere sobre repressão política e
repressão psíquica. O latente, neste autor, é entendido como aquilo que
é impossível de ser pensado pela repressão exercida a partir do lugar
de poder ou do discurso ocial, que reúne os efeitos do poder social
no psiquismo individual. Este segundo conceito: discurso ocial, e o de
“história ocial”, também trabalhado por Piera Aulagnier, será central ao
longo do artigo.
O artigo se constrói partindo do pressuposto de que “todos os recantos
grupais e identidades coletivas, inclusive a família, geram discursos que
em sua transmissão fazem versões interpretativas do que vivenciaram”
(p.3). Esse discurso “ocial” compartilhado pelo grupo, a história da his-
tória, suprime necessariamente outras leituras do mesmo acontecimen-
to, exigindo a repressão destas, repressão que inclui arestas, versões, in-
terpretações, afetos, etc. relacionado ao evento, em todos os indivíduos
com algum pertencimento a essa identidade coletiva.
As autoras cuidam de fazer uma leitura propriamente psicanalítica na
análise da convergência entre o social e o individual, no político. Con-
siderando que é no social/linguagem e no social/político que o indiví-
duo tem possibilidade de representação ou, precisamente, não a tem,
quando isto é impedido pela repressão política. A “história ocial” que
se impõe com uma história necessariamente lacunar, envolvida na sal-
vaguarda dos interesses daqueles que a apoiam, reduz o acontecimento
de incumbência social à condição de um luto pessoal.
O CONFLITO POLÍTICO:
A NATUREZA INOMINÁVEL
DO CONFLITO PSÍQUICO1
1 Azocar, M.L., Casté, T. Soza, P. (2003) El conicto político: lo innombrable del conicto psíquico. Revista Gradiva (ICHPA), 4(2), 142-150.
Resenha realizada
por Liliana Messina
Schwartz2
2 Psicóloga e Dra. em Psicologia da
Universidade do Chile. Psicanalista
e Membro da Sociedade Chilena
de Psicanálise ICHPA. Prática
clínica psicanalítica de adultos e
adolescentes. Professora Associada
da Faculdade de Medicina Ocidental,
Departamento de Pediatria e Cirurgia
Infantil da Universidade do Chile.
Supervisora de alunos em práticas e
estágios. Secretária Geral, FLAPPSIP
2021-2023 e Membro da Diretoria
da FLAPPSIP 2023-2025. Autora
de artigos publicados em diversas
revistas e capítulos de livros.
INTERCAMBIO PSICOANALÍTICO, 15 (2), 2024, pp 160 - 163
ISSN 2815-6994 (en linea) DOI: doi.org/Soza 10.60139/InterPsic/15.2.14
162 / FLAPPSIP
Embora este artigo tenha sido escrito e publicado em 2013, é completa-
mente atual, pois vemos que os discursos que circulam hoje continuam
a abordar estas questões. No Simpósio FLAPPSIP Sonhar um futuro é
possível? no último dia 14 de setembro, Silvia Alonso arma, ao iniciar
seu discurso de abertura, que “O sintoma se constrói nas interseções da
história individual e dos laços sociais” (Silvia Alonso, 2024). Porque, tanto
os discursos quanto os diagnósticos, embora possam ser nomeados da
mesma forma que no passado (histeria, obsessão, perversão), vão adqui-
rindo gradativamente características que os vinculam ao modo de vida
de um determinado momento da história de uma sociedade. O modo
de vida dos nossos jovens de hoje é evidentemente diferente daquilo
que nós, nascidos no século passado, conhecíamos na nossa juventude,
antes da massicação da era digital. Então, as depressões, os transtor-
nos de personalidade e as perversões também serão diferentes? O que
é comum aos tempos é o silenciamento dos horrores envolvidos nos
conitos sócio-políticos e nos traumas derivados transgeracionalmente
(Fernández, I e Jeria, P., Congresso RedIPPOL, 2024).
No trabalho que analisamos, as autoras se perguntam até que ponto
o conito e a violência política, e especialmente aquela exercida pelas
organizações no poder, podem ser ouvidas na prática psicanalítica, e
quanto da repressão política pode ser ouvida como tal e diferenciada da
repressão psíquica? Se considerarmos que evitar a dor é uma função -
sica e primitiva do psiquismo, não silenciar os efeitos da violência brutal
é um exercício da vontade consciente e, portanto, um exercício político.
Isto deve ser diferenciado do trabalho psicanalítico realizado sobre a
repressão psíquica individual.
“Para Freud, a mais avassaladora das possibilidades de processamento
psíquico de um conito é a tentativa de deixar algo que aconteceu
sem suporte representacional. Deixar sem possibilidade de transcrição
mesmo que seja apenas uma sinalização” armam as autoras (p.8). Tan-
to é assim que ouvimos falar do grupo denominado “Histórias desobe-
dientes”, nascido na Argentina, em 2017, e com consequências no Chile,
que agrupa lhos de genocidas que vêm falar publicamente contra seus
pais (Histórias Desobedientes, 2017). Filhos que não suportam o silêncio
e a repressão, provavelmente dentro das suas famílias e conseguem fa-
lar, mostram a sua desaprovação, desobediência e desprezo pelos pais.
Pois, como sustenta o artigo, quando a rebelião contra a “história ocial”
é silenciada, apenas o trauma e a luto pessoal podem ser admitidos.
Quanta palavra deve ter sido gasta para resgatar essa repressão psíqui-
ca, essa repressão familiar, depois que a repressão política não era
mais uma consideração necessária.
Será o efeito do trabalho e da elaboração individual, equivalente ao que
faz Rivera Letelier. Sua história é lembrada e recuperada neste artigo
para mostrar o quão forte é a repressão política e como ela, por sua vez,
produz a repressão psíquica. Rivera Letelier relata que somente quando,
INTERCAMBIO PSICOANALÍTICO, 15 (2), 2024, pp 160 - 163
ISSN 2815-6994 (en linea) DOI: doi.org/Soza 10.60139/InterPsic/15.2.14
163 / FLAPPSIP
já adulto e ouviu a Cantata Santa María, soube do massacre (o massacre
ocorrido na escola Santa María de Iquique, em 21 de dezembro de 1907)
ocorrido na época de seu pai, quando ele era criança e morava nos pam-
pas pode ter ouvido os mineiros falarem sobre isso, mas nunca foi men-
cionado. A possibilidade de tradução em obra artística, canto-cantata; a
pintura como Guernica ou um romance, dá a oportunidade de “sobrevi-
ver ao silêncio”; oferece palavras ou visualidade ao que está reprimido,
quando o que aconteceu parece impossível de processar.
Algumas das conclusões do artigo assumem a seguinte forma: “de ser-
mos reprimidos politicamente, de sermos submetidos à violência, fo-
mos transformados em pessoas deprimidas? “Será esta uma hipótese
possível sobre a relação entre repressão política e conito psicológico?”
(pág.6).
Referências
Fernández, I. e Jeria, P. (2024) Escuta, olhar e corpo. Após a violenta queda dos caminhos da
representação. Vínculos e feridas naqueles e naquelas do depois. (Palestra no Congresso
RedIPPOL, São Paulo, Brasil, 2024.)
Histórias Desobedientes
(https://hacemosmemoria.org/2021/03/23/somos-hijos-de-genocidas-y-nos-venimos-a-
pronuncia r-en-contra-de-nuestros-padres/)