
INTERCAMBIO PSICOANALÍTICO, 15 (2), 2024, pp 160 - 163
ISSN 2815-6994 (en linea) DOI: doi.org/Soza 10.60139/InterPsic/15.2.14
162 / FLAPPSIP
Embora este artigo tenha sido escrito e publicado em 2013, é completa-
mente atual, pois vemos que os discursos que circulam hoje continuam
a abordar estas questões. No Simpósio FLAPPSIP Sonhar um futuro é
possível? no último dia 14 de setembro, Silvia Alonso arma, ao iniciar
seu discurso de abertura, que “O sintoma se constrói nas interseções da
história individual e dos laços sociais” (Silvia Alonso, 2024). Porque, tanto
os discursos quanto os diagnósticos, embora possam ser nomeados da
mesma forma que no passado (histeria, obsessão, perversão), vão adqui-
rindo gradativamente características que os vinculam ao modo de vida
de um determinado momento da história de uma sociedade. O modo
de vida dos nossos jovens de hoje é evidentemente diferente daquilo
que nós, nascidos no século passado, conhecíamos na nossa juventude,
antes da massicação da era digital. Então, as depressões, os transtor-
nos de personalidade e as perversões também serão diferentes? O que
é comum aos tempos é o silenciamento dos horrores envolvidos nos
conitos sócio-políticos e nos traumas derivados transgeracionalmente
(Fernández, I e Jeria, P., Congresso RedIPPOL, 2024).
No trabalho que analisamos, as autoras se perguntam até que ponto
o conito e a violência política, e especialmente aquela exercida pelas
organizações no poder, podem ser ouvidas na prática psicanalítica, e
quanto da repressão política pode ser ouvida como tal e diferenciada da
repressão psíquica? Se considerarmos que evitar a dor é uma função bá-
sica e primitiva do psiquismo, não silenciar os efeitos da violência brutal
é um exercício da vontade consciente e, portanto, um exercício político.
Isto deve ser diferenciado do trabalho psicanalítico realizado sobre a
repressão psíquica individual.
“Para Freud, a mais avassaladora das possibilidades de processamento
psíquico de um conito é a tentativa de deixar algo que já aconteceu
sem suporte representacional. Deixar sem possibilidade de transcrição
mesmo que seja apenas uma sinalização” armam as autoras (p.8). Tan-
to é assim que ouvimos falar do grupo denominado “Histórias desobe-
dientes”, nascido na Argentina, em 2017, e com consequências no Chile,
que agrupa lhos de genocidas que vêm falar publicamente contra seus
pais (Histórias Desobedientes, 2017). Filhos que não suportam o silêncio
e a repressão, provavelmente dentro das suas famílias e conseguem fa-
lar, mostram a sua desaprovação, desobediência e desprezo pelos pais.
Pois, como sustenta o artigo, quando a rebelião contra a “história ocial”
é silenciada, apenas o trauma e a luto pessoal podem ser admitidos.
Quanta palavra deve ter sido gasta para resgatar essa repressão psíqui-
ca, essa repressão familiar, depois que a repressão política já não era
mais uma consideração necessária.
Será o efeito do trabalho e da elaboração individual, equivalente ao que
faz Rivera Letelier. Sua história é lembrada e recuperada neste artigo
para mostrar o quão forte é a repressão política e como ela, por sua vez,
produz a repressão psíquica. Rivera Letelier relata que somente quando,