
69 / FLAPPSIP
“Só podemos esperar que ... o eterno Eros implante suas forças para vencer
a luta com (Thanatos), seu adversário não menos imortal. Mas quem pode-
ria prever o
Resultado nal?
“O mal-estar na cultura” S. Freud (1929).
Introdução
A psicanálise, a partir de uma perspectiva sócio-histórica, ofere-
ce uma perspectiva teórico-clínica inestimável para compreender a dinâ-
mica psíquica ligada aos contextos sociais. Essa abordagem abrange a
interseção do indivíduo com a cultura, com a sociedade e com as estru-
turas de poder. A partir dessa perspectiva de vinculação e intersubjetiva,
nossa prática está em permanente busca de montagem; entre os concei-
tos adquiridos e a clínica que nos desaa. Somos acompanhados nesta
jornada por referências como Marilú Pelento, Ignacio Lewkowicz, Silvia
Bleichmar, Marité Cena, Mario Wasserman e Janine Puget, entre outros,
que contribuíram signicativamente para nossa identidade como psica-
nalistas comprometidos.
Marilú Pelento, foi uma analista com um enorme compromisso
com o sofrimento, principalmente com as crianças, deixou-se embeber
pelas mudanças e circunstâncias sociais da Argentina para nos transmi-
tir um modelo não estereotipado, sempre aberto às novas exigências
que a sociedade colocava. O terrorismo de Estado, com os níveis muito
elevados de sofrimento que causou, não poderia deixá-lo à margem. Ele
se envolveu, com os traumas, as dores que as violações dos direitos hu-
manos geraram em nosso país e usou as ferramentas que a psicanálise
lhe ofereceu para pensar.
Janine Puget, por outro lado, enfoca a intersubjetividade e as
relações de vínculo, argumentando que as experiências subjetivas são
profundamente inuenciadas pelos vínculos e redes sociais nas quais os
indivíduos estão imersos. Sua abordagem ressalta a importância de con-
siderar a dinâmica relacional e contextual no tratamento psicanalítico.
PSICANÁLISE, SENSIBILIDADE SOCIAL E TERAPÊUTICA
PARA ACOMPANHAR
CRIANÇAS E ADOLESCENTES
“Analistas trabalhando em tempos de crueldade.…”1
PApresentado na Simpósio Clínico da FLAPPSIP 2024
1 Este artigo apresenta o desenho de uma pesquisa em andamento no âmbito do Espaço de Pesquisa FLAPPSIP inaugurado em 2022, sob a
coordenação de Marta De Giusti. Trata-se de uma pesquisa qualitativa voltada para a análise da subjetividade de migrantes púberes e adolescentes
por meio de obras literárias de María Teresa Andruetto. Autores: Actis Caporale, F., Cernadas, J., Diament, L., Mindez, S, Zanotto, A. AEAPG-FLAPPSIP.
Susana Mindez (AEAPG)2
Fabián Actis Caporale
(AEAPG)3
Diretoria de Investigações de FLA-
PPSIP
2 Licenciada em Psicologia (UBA,
1993), Especialista Clínica em
Psicanálise de crianças pela UNLM-
AEAPG (2008). Professora titular
da pós-graduação “Curso superior
de crianças e adolescentes” na
AEAPG. Ministrante do seminário:
“Problemáticas atuais nas infâncias”.
Membro associado da AEAPG.
Integrante da Área de Infância e
Adolescência da AEAPG. Coautora do
livro “Primeira Infância. Psicanálise
e pesquisa”, capítulo: Dimensões do
brincar mãe-bebê no primeiro ano
de vida. Organizadora: Clara R. de
Schejtman. Editora Akadia, 2008.
Pós-graduação em Terapia Sistêmica
Relacional com Famílias e Casais
(2023, Fundação Famílias e Casais).
3 Fabián Actis Caporale –
Psicanalista. Professor convidado
do Programa de Atualização
em Psicanálise com Crianças e
Adolescentes (UBA, Dr. Ricardo
Rodulfo). Coautor de “Violência
Social: Conceituação Psicanalítica e
Interdisciplinar”, “Adolescência, hoje”
e *“Adolescências vulneradas