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Marta De Giusti: Quais têm sido os seus temas de pesquisa no
campo da psicanálise? Com quais fontes ou materiais de trabalho você tra-
balhou?
Débora Tajer: Eu acho que a única pesquisa, de todas as que
z – já z mais de dez pesquisas, com certeza, depois posso contar –,
mas como diretora de projetos, como co-diretora de projetos, acho que,
se tenho que falar de psicanálise, só uma teve uma contribuição psica-
nalítica. Porque, como você sabe, eu também sou sanitarista, e minhas
pesquisas são fundamentalmente no campo da saúde coletiva, não no
da psicanálise. Mas o que posso dizer é que, em todas elas, embora não
fossem no campo psicanalítico, era uma psicanalista pesquisando.
MDG: Você acha que faz diferença ser uma pesquisadora psicanalista?
DT: Sim, por várias razões. Primeiro pelo peso do subjetivo, di-
gamos. E também porque você sabe investigar no campo do subjetivo
e as diferentes camadas que ele possui. Isso faz uma grande diferença.
Por outro lado, você tem a teoria do conito, entre sujeitos, e do sujeito
consigo mesmo. E tem uma questão que fui aprendendo, principalmen-
te nos primeiros anos, e depois transmiti: muitas das técnicas de análise
do discurso e análise de conteúdo vêm da psicanálise. Ou seja, os me-
todólogos pegaram isso da hermenêutica psicanalítica para aplicá-lo à
metodologia da pesquisa qualitativa. Então, quem vem da psicanálise
já sabe fazer isso. Tanto quando você analisa como se estrutura um dis-
curso – o que seria a linha mais estruturalista – quanto quando trabalha
com temas de conteúdo. Isso também é uma contribuição de quem vem
da psicanálise. Aliás, meu orientador de Doutorado, um sanitarista mui-
to renomado, José Carlos Escudero, me dizia: “faz o que você sabe fazer
e depois damos um nome, depois buscamos como se chama”. Como
sou pesquisadora da Faculdade de Psicologia, meus grupos também
têm formação em psicanálise. Isso dá uma marca muito particular, não
importa o tema.
Por outro lado, com categorias propriamente psicanalíticas, sim, trabal-
hei na minha primeira pesquisa – que na verdade foram duas pesqui-
sas – que foi o trabalho de campo do meu doutorado em Psicologia,
sobre os aspectos subjetivos da construção da vulnerabilidade coro-
nariana em homens e mulheres. Aí segui a linha dos psicanalistas que
trabalharam o psicossomático, principalmente a linha de Chiozza. Ele
tinha uma hipótese de que havia um colapso narcísico que precipita-
va o evento coronário agudo. Ou seja, quando eu pensava os fatores
subjetivos que desencadeavam a situação para a pessoa ter um infarto
– aliás, os desencadeadores dos infartos são subjetivos – como eu já
trabalhava com gênero, trabalhei a hipótese de Chiozza, mas referido
ao gênero. Nas entrevistas que z com homens e mulheres que tiveram
um evento coronário e comparei com outros de mesmas características
ENTREVISTA
COM DÉBORA TAJER 1
Marta De Giusti 2
Diretora de Pesquisa da FLAPPSIP
1 Graduada e doutora em Psicologia pela
Universidade de Buenos Aires (UBA), Mestre
em Ciências Sociais e Saúde (FLACSO/
CEDES). Pós-doutorado em Estudos de
Gênero (UCES).
Professor Associado responsável pelas
Cátedras de Saúde Pública/Saúde Mental
II e Introdução aos Estudos de Gênero na
Faculdade de Psicologia da UBA.
Diretora de Projetos de Pesquisa da UBACyT
sobre Saúde, Subjetividade e Gênero.
Diretora do Programa de Atualização em
Gênero e Subjetividade da Secretaria de
Pós-Graduação da Faculdade de Psicologia
da Universidade de Buenos Aires.
Cofundadora do Fórum de Psicanálise e
Gênero da Associação de Psicólogos de
Buenos Aires (APBA) e membro de seu
Comitê Consultivo. Ela foi membro do
Conselho Consultivo do Ministério da
Mulher, Gênero e Diversidade da Nação.
Ela fez parte do Conselho Consultivo do
Ministério da Mulher, Gênero e Diversidade
da nação.
del Ministerio de las Mujeres, Géneros y D
2 Psicologa (UBA). Psicanalista. Membro
Titular da AEAPG. Diretora da Diretoria
de Pesquisa da FLAPPSP. Professora
dos Programas de Pós-Graduação em
Psicanálise da AEAPG, em convênio com
a Universidade Nacional de La Matanza
(UNLaM)