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Entrevistamos a Sara Oxenstein em seu papel como atual Presidenta
da FLAPPSIP para saber mais sobre o próximo Congresso da Federação,
intitulado Eros, alteridade e criatividade em tempos de assombro. O pulso
atual da Psicanálise.
O Zoom, uma das heranças da pandemia, foi o espaço virtual do nosso
encontro, onde conversamos sobre este congresso que acontecerá nos
dias 16, 17 e 18 de outubro de 2025, em Lima, Peru.
Laura Soria Torres: O título do XIII Congresso da FLAPPSIP é “Eros,
alteridade e criatividade em tempos de assombro. O pulso atual da Psicaná-
lise”, e uma das primeiras questões que surgem ao ler esse título é o quão
sugestiva é a ideia de tomar o “pulso atual da Psicanálise” e, ao mesmo
tempo, contextualizar esse congresso em tempos que são qualicados como
“tempos de assombro”. Queríamos que você nos contasse mais sobre como
surgiram essas ideias que denem o tema do congresso.
Sara Oxenstein: Claro, Laura. Explico como nasceu a ideia des-
te Congresso e o que o torna particularmente relevante. Surge da ne-
cessidade de pensar a psicanálise em um mundo contemporâneo em
constante mudança, a uma velocidade vertiginosa, onde o inesperado, o
disruptivo, o incerto, fazem parte da experiência cotidiana. Propusemos
questionar como esse impacto e transbordamento repercutem na cons-
tituição do sujeito, nos vínculos, nos sintomas e nos novos sofrimentos
na prática clínica. É daí que vem o título, que nós, na Comissão, escolhe-
mos com muito cuidado.
Desse modo, Eros representa o impulso de vida, a possibilidade
de ligação e de sentido. A alteridade remete ao encontro com o outro
em sua diferença irredutível, desaando o narcisismo e seus limites na
interação transferencial e afetiva. E, nalmente, a criatividade como di-
mensão transformadora que alimenta tanto a psicanálise quanto a cul-
tura, gestando novas formas de expressão simbólica. Sabemos que, no
nosso campo, a criatividade é imperativa para permitir uma transfor-
mação na díade psicanalítica, que seja possível transformar o que o pa-
ciente precisa para si. Então, sabemos que esses conceitos não estão em
estado puro, estão sempre em constante tensão com a sua contraparte.
A que me rero? Eros coexiste com Tânatos, a alteridade coexiste com a
ameaça do estranho, e a criatividade com o risco do vazio.
É a partir dessa dialética, desse campo de tensões, que emerge
a riqueza do pensamento psicanalítico. Sempre em movimento, sempre
questionador, nunca estático. Nunca colocado em uma dimensão que
possa ser objeticada. Essa dinâmica nos parece extremamente impor-
tante.
Quisemos ir além do olhar angustiante do desamparo, que é
uma espada de Dâmocles, e abrir outras possibilidades para pensar este
tempo complexo, buscar formas inéditas de exploração que nos ajudem
a sair das crises, sem carmos presos à desesperança, mas também
sem cair numa idealização ingênua.
ENTREVISTA
COM SARA OXENSTEIN CAPLIVSKI1
Laura Soria Torres2
1 Sara Oxenstein Caplivski é Licenciada
em Psicologia Clínica pela Universidade
Femenina del Sagrado Corazón (UNIFE)
e possui um Mestrado em “Intervenção
Clínica Psicanalítica” pela Pontifícia
Universidade Católica do Peru (PUCP).
Além disso, é Psicoterapeuta Psicanalítica
formada pelo Centro de Psicoterapia
Psicanalítica de Lima (CPPL). Nesta
instituição, atuou como professora na
disciplina de “Psicopatologia” (2006–2019),
bem como tutora da Turma XXXIII (2016–
2019). É membro associada do CPPL e
da ADPP. Atualmente, é coordenadora
da disciplina de “Técnica Psicanalítica”
e professora na equipe acadêmica do
Instituto Psicanalítico Interdisciplinar (IPI).
Autora de artigos publicados em revistas
e livros especializados. Trabalha em
consultório particular com jovens, adultos
e idosos. Atualmente, preside a FLAPPSIP
pela Associação de Psicoterapia Psicanalítica
(ADPP) durante o período 2023–2025.
2 Laura Soria Torres é Mestre em
Gênero, Sexualidade e Políticas Públicas
pela Universidade Nacional Mayor de
San Marcos (UNMSM). Psicoterapeuta
psicanalítica formada pelo Centro de
Psicoterapia Psicanalítica de Lima (CPPL).
Formada em Antropologia pela Pontifícia
Universidade Católica do Peru (PUCP).
Coordenadora do Departamento de
Pesquisa e Publicações do CPPL. Ministra
de forma conjunta o curso Características
da Psicoterapia Psicanalítica e é assistente
no curso Psicanálise e Cultura no CPPL.
Atende em consultório particular e
no Departamento S. Freud do CPPL.
Recentemente publicou: Soria Torres, Laura
et al. (2024) Sobre la interrelación entre el
desborde social y espacio terapéutico. Em
Intercambio Psicoanalítico, 15(1).
- PRESIDENTA DA FLAPPSIP (2023-2025)