
INTERCAMBIO PSICOANALÍTICO, 16 (2), 2025, pp 17 - 21
ISSN 2815-6994 (en linea) DOI 10.60139/InterPsic/16.2.1
20 / FLAPPSIP
Casa del Encuentro: Um Centro Psicanalítico na Cidade
Localizada no Chile, em uma comuna nos arredores de Santiago, Chile,
a Casa del Encuentro é um centro inspirado na Casa Verde, fundada por
Françoise Dolto. Aberta a crianças de 0 a 6 anos, acompanhadas por um
cuidador, oferece um espaço para socialização precoce e para abordar
as preocupações cotidianas da parentalidade. Abaixo, um breve relato
deste local:
Eu estava conversando com duas mães no pátio da Casa del Encuentro
sobre os diagnósticos de autismo de seus lhos, que estavam com elas
naquele dia. A conversa surgiu quando uma das mães mencionou que
havia ido ao neurologista no hospital e lhe disseram: “Bem, você sabe o
que sua lha tem, não é? Sua lha tem autismo. Você sabe o que é isso,
certo?”. Essa mãe, que estava com sua lha de 3 anos no consultório
do neurologista, respondeu que sabia de algo, mas que realmente não
sabia como responder. “Fiquei chocada”, respondeu ela. Perguntei como
ela estava se sentindo desde a resposta do neurologista. Ela respondeu
que estava chocada, que não queria dizer nada porque não conseguia
pensar em nada, mas tudo o que sabe é que saiu do hospital triste, con-
fusa e com muita raiva. “Eu a levei porque ela não falava, e me disseram
outra coisa”, conta. Sobre o que as diculdades de linguagem da lha
signicaram para ela, ela diz: “Eu não entendia nada, e ela também não
falava. Desde que cheguei aqui, há cerca de três meses, minha lha está
falando, ela diz palavrinhas que eu consigo entender um pouco. Algo
aconteceu aqui. Acho que é a maneira como a tratam ou como a ouvem,
não sei.” Enquanto conversávamos, vimos a lha dela, que brincava na
nossa frente, cair, chorando alto e car parada, eu diria até mais, dei-
tada no chão sem se mexer ou fazer nada além de chorar. No entanto,
sua mãe, com quem eu conversava e observava a situação, permaneceu
sentada, observando a situação com certa impassibilidade. Então, eu lhe
disse: “O que você acha de irmos ver o que aconteceu com ela? Esse cho-
ro talvez seja um chamado, e me ocorre que ela talvez queira um abraço
e um beijo seu para se acalmar.” Essa mãe se levanta e vai até a lha,
que estava deitada no chão. Ela gentilmente pega sua mão, mas a mão
da menina permanece solta e foi justamente ali que ela se machucou. Eu
disse à mãe: “E se você tentar segurar a mão dela e acariciá-la? Talvez isso
possa acalmar suas lágrimas de dor.” Essa mãe pegou a mão dela onde
havia se machucado e começou a cantar para ela enquanto a acariciava:
“Cura, cura, meu sapinho, se não sarar hoje, sarará amanhã.” Depois de
um tempo, sua lha parou de chorar e voltou a brincar. No entanto, de-
pois de um tempo, sua lha tropeçou e caiu novamente. “Ela deve estar
com sono, está caindo muito”, disse ela, sentando-se novamente. Nesse
momento, ouve-se a lha chorando alto e gritando “Mãe!”. “Sua lha te
chamou, ela nunca fez isso antes”, diz uma mãe que estava por perto e
que já tinha vindo aqui em outras ocasiões para compartilhar com ela
e a lha. “É verdade, é a primeira vez que a ouço me chamar de mãe.”
Nós duas nos levantamos, tomadas por aquele chamado e chorando ao
mesmo tempo. Enquanto ele estende a mão para a lha, outro menino,