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Resumo: Como se dá com todas as expansões da clínica psicanalítica,
também a clínica em-linha suscita o debate sobre as possibilidades
de, nela, sustentar o propriamente analítico. E uma das questões
difíceis, neste debate, é levá-lo adiante considerando que estamos
frente a funcionamentos e a experiências inéditas, que não podem
ser avaliadas com os parâmetros desenvolvidos para a análise pre-
sencial. A comparação simples e direta de settings tem sido marcada
pela ‘lógica da falta’, principalmente no que se refere à participação
dos corpos, de órgãos dos sentidos, de um espaço físico compartil-
hado. O artigo coloca em dúvida que essas diferenças funcionem
apenas em chave de restrição e carência, que impliquem um decit
da experiência
analítica
como tal, questionando, para isso, a xidez
com que se toma o que, de fato, é móvel e mutante.
O texto circula pela supramodalidade de Stern, pela gurabilidade
dos Botella, pela exibilidade do espaço analítico dos Baranger, pelo
uso singular do objeto de Winnicott e, com muito destaque, pela plu-
ralidade expressiva de Bollas: caminhos para uma reaproximação ao
‘utuante’ do psiquismo e das relações. No divã, na tela, na poltrona,
no telefone.
Palavras-chave: psicanálise, online, setting, Bollas
Resumen: Como ocurre con todas las expansiones de la clínica psi-
coanalítica, la clínica en línea también suscita el debate sobre las po-
sibilidades de sostener en ella lo propiamente analítico. Y una de las
cuestiones difíciles en este debate es llevarlo adelante consideran-
do que estamos ante funcionamientos y experiencias inéditas, que
no pueden ser evaluados con los parámetros desarrollados para el
análisis presencial. La comparación simple y directa de settings ha
estado marcada por la ‘lógica de la falta’, principalmente en lo que
respecta a la participación de los cuerpos, los órganos de los sentidos
y un espacio físico compartido. El artículo pone en duda que estas
diferencias funcionen únicamente en clave de restricción y carencia,
implicando un décit de la experiencia analítica como tal. Para esto,
cuestiona la jeza con la que se asume algo que, en realidad, es móvil
y cambiante.
El texto circula por la supramodalidad de Stern, la gurabilidad de
los Botella, la exibilidad del espacio analítico de los Baranger, el uso
singular del objeto en Winnicott y, con gran destaque, por la plurali-
dad expresiva de Bollas: caminos para un reencuentro con lo ‘otan-
te’ del psiquismo y de las relaciones. En el diván, en la pantalla, en el
sillón, en el teléfono.
Palabras clave: psicoanálisis, online, setting, Bollas
PSICANÁLISE EM-LINHA/ONLINE:
CONVITE A FLUTUAR (MAIS AINDA)
Lia Pitliuk1
1 Psicanalista. Membro do
Departamento de Psicanálise,
do Espaço Potencial Winnicott e
do Departamento de Psicanálise
com Crianças do Instituto Sedes
Sapientiae em SP. Docente no
curso de formação de analistas do
Departamento de Psicanálise com
Crianças. Coordenadora dos grupos
de estudo e pesquisa: EmLinha -
Grupo de estudos e pesquisa sobre a
clínica psicanalítica online; Winnicott:
leituras e reexões; Winnicott e
Bollas: trânsitos; Grupo de pesquisa
sobre acepções de ‘holding’ na obra
de Winnicott no Departamento
de Psicanálise. Docente em curso
de pós-graduação e em cursos
livres no Instituto Gerar em SP.
Coordenadora de grupos de estudo
sobre Freud, Winnicott e Bollas.
Autora do livro A sustentação de
uma clínica psicanalítica em-linha
e de muitos artigos e capítulos em
livros e revistas especializadas,
entre os quais o prefácio para a
edição brasileiras do livro Segure-
os antes que caiam (de C. Bollas),
Democracia e totalitarismo como
funcionamentos psíquicos, Sabemos/
podemos/queremos ser sós?
Subjetivação e análise em tempos
digitais e Christopher Bollas: por
uma psicanálise contracolonial.