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I. Antecedentes
No presente trabalho, procuro reetir sobre a supervisão e sua im-
portância no nosso trabalho clínico; especialmente quando trabalhamos
com aqueles pacientes de difícil acesso que ultimamente chegam com mais
frequência ao nosso consultório; mais ainda, quando devemos enfrentar
o ódio transferencial de alguns deles, que aora na interação entre trans-
ferência e contratransferência e que provoca em nós, terapeutas, intensos
sentimentos contra transferenciais de impotência, medo, raiva e ódio.
Escrevi anteriormente na Revista Transiciones 12 (2007) sobre o ódio
na transferência a partir do meu papel como terapeuta, analisando minha
relação com Dania, uma menina de 5 anos que apresentava uma forte an-
gústia de separação. Naquela época, transcrever essas sessões tão difíceis
foi uma primeira maneira de expressar e começar a metabolizar esses senti-
mentos tão intensos. É o que Grimberg (1991) entende como uma forma de
autossupervisão. Depois, supervisá-las, foi fundamental para conter esses
sentimentos que surgiam em mim e na menina durante suas sessões, to-
mar consciência das diferentes funções do ódio na transferência (Gabbard,
1991) e, assim, conseguir reforçar a aliança terapêutica e a conança no vín-
culo; também, me permitiu analisar a intervenção que realizei através do
jogo, transformando meu sentimento de impotência em um jogo criativo
que, agora, com os novos desenvolvimentos da teoria psicanalítica, pode-
ria entender como uma interpretação metafórica, no sentido proposto por
Hilda Catz (2026). (Conceito muito interessante que ela foi desenvolvendo
ao longo da sua obra, ao trabalhar desde a análise relacional). É uma inter-
venção terapêutica que privilegia o que está acontecendo no vínculo tera-
peuta-paciente, que procura ampliar o sentido, no lugar de fechá-lo, tratan-
do de introduzir o simbólico através de imagens, metáforas, etc.
Foi assim que Dania, graças à curiosidade que consegui despertar
nela, se aproximou de mim para ver juntas o que acontecia com os piolhos
brancos. Essa foi uma representação que lhe permitiu sair desse distancia-
mento físico e afetivo e da sua atitude agressiva e de controle em relação
a mim. Assim, juntas, conseguimos ir transformando sua raiva e seu ódio,
para o qual foi muito importante mostrar a ela que eu, como terapeuta,
tinha sobrevivido à intensidade dos seus ataques e do seu ódio e, dessa ma-
neira, restaurar o espaço analítico ao comprovar que eu seguia disponível
para ela. (Winnicott, 1947/1960). Finalmente, escrever e dar um nome a essa
experiência tão mobilizadora foi o que me permitiu continuar a elaborá-la
e a integrá-la à luz dos seus aportes teóricos e dos de Gabbard (1991) (Soto
de Dupuy, E., 2007).
A IMPORTÂNCIA DA SUPERVISÃO
E DA CLÍNICA ATUAL
Uma experiência de supervisão em grupo ampliada para a análise,
compreensão e contenção da transferência e da contratransferência negativas
Elvira Soto de Dupuy1
1 Licenciada em Psicologia Clínica
pela PUCP. Candidata do Instituto
da SPP, com formação em
psicanálise de adultos, crianças e
adolescentes. Membro fundador
do Centro de Desenvolvimento e
Assessoria Psicossocial (CEDAPP)
e da Associação Peruana de
Psicoterapia Psicanalítica de
Crianças e Adolescentes (APPPNA).
Membro do Comité Editorial da
revista Transições e atual secretária
cientíca. Prática privada com
crianças, adolescentes e adultos
desde 1978. Supervisora do trabalho
com crianças e adolescentes
no CEDAPP e ex-supervisora do
Departamento de Crianças e
Adolescentes D. Winnicott do CPPL.
Autora de diversos artigos sobre
clínica com crianças publicados
na revista Transições. Coautora e
coeditora do livro A maternidade e
as suas vicissitudes hoje (2006) e de
A continuidade através do vínculo.
Lugar simbólico e real que os avós
ocupam para os seus netos (2002).
Lima. elvirasoto.dupuy@gmail.com
https://orcid.org/0009-0008-7715-
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