INTERCAMBIO PSICOANALÍTICO, 16 (1), 2025, pp 68 - 77
ISSN 2815-6994 (en linea) DOI: doi.org/10.60139/InterPsic/16.1.8
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SEMPRE O MESMO ASSOMBRO?
¿SIEMPRE EL MISMO ASOMBRO?
ALWAYS THE SAME ASTONISHMENT?
Margarida Viñas
ORCID: 0009-0006-9545-4479
Correio eletrônico: margaridavrlima@gmail.com
Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre /Serra
Data de Recebimento: 11 – 03 -2026
Data de Aceitação: 11-03-2026
Para citar este artículo / Para citar este artigo / To reference this article
Viñas M. (2026) SEMPRE O MESMO ASSOMBRO?
Intercambio Psicoanalítico 17 (1), DOI: 10.60139/InterPsic/17.1.8
Creative Commons Reconocimiento 4.0 Internacional (CC By 4.0)
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Resumo: O presente trabalho investiga as diferentes modalidades de
assombro a partir da psicanálise e da literatura. Primeiro, discute-se
o assombro como retorno do recalcado, exemplicado por Freud
em ‘Um distúrbio de memória na Acrópole’ (1936) e por Borges em
‘O outro’ (2021), onde a dobra do tempo produz o efeito do estranho
(
unheimlich
). Depois, o assombro advém como traumático, ligado a
catástrofes contemporâneas, genocídios e pandemias, no qual o real
irrompe como excesso impossível de simbolizar (Lacan, 1964). Por
m, propõe-se um terceiro tipo de assombro: o encontro com um Ou-
tro radical, fora do universo simbólico do sujeito, ilustrado pelo tes-
temunho de um indígena da etnia madiha kulina, no podcast ‘Dois
mundos’ (Sassine, 2025) e pelo relato de Olaudah Equiano (1789) ao
embarcar em um navio negreiro. A literatura de Borges em ‘O Aleph’
e de D. H. Lawrence em
O homem que morreu
acrescenta novas ca-
madas a essa reexão: o insuportável da totalidade e a irrupção da
vida em um instante mínimo. O texto conclui que o assombro, em
suas múltiplas formas, desaa o sujeito e convoca o psicanalista a
sustentar uma ética da palavra diante do real.
Palavras-chave: Assombro; Psicanálise; Trauma; Real.
Resumen: El artículo investiga las diferentes modalidades del asom-
bro a partir del psicoanálisis y de la literatura. En primer lugar, se
discute el asombro como retorno de lo reprimido, ejemplicado por
Freud en ‘Una perturbación de la memoria en la Acrópolis’ (1936) y
por Borges en ‘El otro’ (2021), donde el pliegue del tiempo produce
el efecto de lo extraño (
unheimlich
). En segundo lugar, se aborda el
asombro como traumático, ligado a catástrofes contemporáneas,
genocidios y pandemias, en los que lo real irrumpe como un exce-
so imposible de simbolizar (Lacan, 1964). Finalmente, se propone un
tercer tipo de asombro: el encuentro con un Otro radical, fuera del
universo simbólico del sujeto, ilustrado por el testimonio de un indí-
gena de la etnia madiha kulina en el pódcast ‘Dos mundos’ (Sassine,
2025) y por el relato de Olaudah Equiano (1789) al embarcar en un
navío negrero. La literatura de Borges en ‘El Aleph’ y de D. H. Lawren-
ce en
El hombre que murió
añade nuevas capas a esta reexión: lo
insoportable de la totalidad y la irrupción de la vida en un instante
mínimo. El texto concluye que el asombro, en sus múltiples formas,
desafía al sujeto y convoca al psicoanalista a sostener una ética de la
palabra frente a lo real.
Palabras clave: Asombro; Psicoanálisis; Trauma; Real.
SEMPRE
O MESMO ASSOMBRO?
Margarida Viñas 1
1 Margarida Viñas é psicanalista,
membro efetivo do CEPdePA,
mestranda em Psicanálise: clínica
e cultura, pela UFRGS; possui
formação em psicanálise pelo
CEPdePA e pelo percurso da APPOA.
É psicóloga graduada pela PUCRS,
coautora do livro “Identicações:
Freud-Lacan” e “O tempo sombrio
que nos afeta – pensando a ética da
psicanálise”, entre outros. Possui
vários artigos publicados em revistas
de psicanálise.
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Abstract: The present paper investigates dierent modalities of asto-
nishment through psychoanalysis and literature. First, astonishment
is discussed as a return of the repressed, as exemplied by Freud in
‘A Disturbance of Memory on the Acropolis’ (1936) and by Borges in
‘The Other’ (2021), where a temporal fold produces the eect of the
uncanny (
unheimlich
). Next, astonishment emerges as traumatic,
linked to contemporary catastrophes, genocides, and pandemics, in
which the real erupts as an excess impossible to symbolize (Lacan,
1964). Finally, a third type of astonishment is proposed: the encoun-
ter with a radical Other, outside the subject’s symbolic universe,
illustrated by the testimony of an indigenous individual from the
madiha kulina people, in the podcast ‘Two Worlds’ (Sassine, 2025),
and by Olaudah Equiano’s account (1789) upon boarding a slave ship.
Borges’s ‘The Aleph’ and D. H. Lawrence’s
The Man Who Died
add fur-
ther layers to this reection: the unbearable nature of totality and
the irruption of life within a minimal instant. The text concludes that
astonishment, in its multiple forms, challenges the subject and calls
upon the psychoanalyst to uphold an ethics of the word in the face
of the real.
Keywords: Astonishment; Psychoanalysis; Trauma; Real.
I - Introdução
Freud percebeu a diculdade de interpretar o momento em que se
vive, daí o trauma em dois tempos. Com isso, poderíamos acreditar que
os eventos do tempo atual, quando incompreendidos, são traumáticos.
Talvez seja uma conclusão precipitada, mas, sem dúvida, vivemos em um
tempo de assombros, situando-nos constantemente em uma espécie de
limite. Como psicanalistas, somos nós os interpelados a decifrar o desme-
dido.
“Assombro” é palavra generosa, na qual cabem muitos mundos,
carregando em si uma espécie de espanto, de arrebatamento. Pode vir
como sequestro, através de uma imagem; ou como uma interrupção,
como algo que arromba o sentido. Acontece algo que se vê, escuta, mas
no qual não se acredita: uma realidade se impõe como inimaginável. À luz
da metapsicologia psicanalítica, podemos diferenciar três diferentes tipos
de manifestações do assombro, merecendo respostas clínicas diferentes.
II – O Retorno do recalcado
É do retorno do recalcado que Freud trata, de modo quase íntimo,
em “Um distúrbio de memória na Acrópole”. Homem feito, ele visita Ate-
nas pela primeira vez. Ao alcançar a colina sagrada, é tomado por um
pensamento estranho, que confessa ao irmão: “Então tudo isso existe de
fato, como aprendíamos na escola?” (FREUD, 1936, p. 241). Aquilo que
está ali, diante de seus olhos, surge como um impossível, forjado na infân-
cia, quando a ideia de Atenas parecia tão grandiosa que era, na verdade,
inacreditável. A Grécia era grande demais para caber no mundo. Visitar
Atenas, então, é tocar o que antes era puro signo.
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Nesse ensaio memorial, Freud nos revela que há assombros que
não vêm do novo ou do inédito, mas da irrupção do que foi recalcado
como impossível - ainda que verdadeiro. O espanto da Acrópole diz me-
nos da paisagem do que de sua inscrição. Um tempo se desdobra sobre
outro: o adulto encontra a cidade, mas é o menino que nela não crê.
Essa dobra de tempos aparece, também, no conto ‘O outro’ (Bor-
ges, 2021). Borges, velho, encontra Borges, jovem. É um tempo dobrado,
entre lembrança e presença, infância e história. O jovem e o velho não se
reconhecem de imediato. Estão sentados em um banco, à beira de um rio,
e o tempo já não é linear. O velho crê estar sonhando; o jovem, acorda-
do. Ambos se perguntam qual é o real, qual é o sonho. Uma frase dene
tudo: “Meu sonho já durou setenta anos... Anal, ao recordar, não existe
ninguém que não se encontre consigo mesmo” (2009b, p. 103). Há um
encontro, um espelho, uma vertigem.
No retorno do recalcado que causa assombro um hiato revela uma
rachadura no tempo e no saber: é o estranho, o unheimlich, que bate à
porta. O passado e o futuro colapsam em um instante.
III - O Traumático
No Brasil, em maio de 2024, cidades inteiras foram alagadas, em
questão de horas. Cleonice Pereira, que perdeu tudo na catástrofe, relata:
“Parece que foi um pesadelo... Às vezes co pensando: será que aconte-
ceu isso comigo?” (MALINOSKI, 2025).
Em Canoas, um corpo foi encontrado boiando sobre colchões, ro-
deado por brinquedos. Em Porto Alegre, um cavalo cou preso no telhado
de uma casa por dias, em uma imagem que rodou pelo mundo. Poucos
anos antes, uma epidemia global (Covid-19) ceifou 15 milhões de vidas.
Lembro-me nitidamente das covas abertas em Manaus para receber cor-
pos que não cabiam mais nos cemitérios.
O que fazer com essas imagens? Onde colocá-las no aparelho psí-
quico? Seriam os tempos atuais tempos do excesso traumático?
Nesses casos, não se trata do traumático recalcado, mas do que é,
de certa forma, inédito. O real, nesse sentido, não retorna. Ele irrompe,
fura, desborda o aparelho. É o que não tem lugar no Outro, o que não se
escreve, o que não se sonha. Lacan insiste: “É do impossível que o real se
constitui.” (LACAN, 1964, p. 167)
O impossível: corpos entre escombros, em uma guerra sem senti-
do. Ou o horror da morte de milhares de crianças pela fome proposital,
em Gaza. Diferentemente da cena da Acrópole ou do encontro com o ou-
tro Borges, aqui não há passado do sujeito que retorna, nem infância re-
encontrada. Apenas um excesso que desaloja, um presente que não pode
ser integrado. Lacan diria que estamos diante de um real que não cessa
de não se inscrever. O real da violência sem contorno, da impotência e da
morte, que irrompe como quebra da cena, como rasgo no simbólico.
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Em 1933, quando Hitler assumiu o poder na Alemanha, Freud já
havia escrito seus textos fundamentais. Sete anos mais novo que Freud,
Hitler ascende como sintoma do mal-estar da civilização. Encarna o ódio,
a intolerância, a organização burocrática da morte. Não foi apenas um
momento de regressão histórica, mas a irrupção de algo estrutural: o
gozo do extermínio.
Penso que podemos entender a ascensão do nazismo como o re-
torno de um recalcado civilizatório: a violência, o horror ao estrangeiro,
a pulsão de morte encarnada em instituições. A análise freudiana do
mal-estar na cultura toca justamente esse ponto: a renúncia pulsional,
exigida pela vida em comum, retorna — deslocada — sob a forma do su-
pereu, da culpa, da destrutividade.
Em novo retorno, hoje, mais uma vez são os Estados que encarnam
o genocídio e o extermínio. Ditadores com discursos inamados, demo-
cracias corroídas desde dentro, redes que amplicam o ódio e o delírio.
Vemos corpos mortos sob escombros, escolas bombardeadas, hospitais
demolidos. Os déspotas atuais vestem outras roupas, usam redes sociais,
falam em nome da liberdade e da democracia e operam sob a lógica da
exceção. O autoritarismo se atualiza como espetáculo. A crueldade se
transmite ao vivo, propositalmente, à m de instaurar o medo e a obe-
diência servis. A desumanização e o genocídio se normalizam como políti-
ca de Estado, assim como a destruição do meio ambiente e a extinção da
ora e da fauna.
Diante desse cenário, a desmentida não é individual. Ela se gene-
raliza. Vemos, sabemos, mas algo em nós recua. A velocidade da imagem
impede o tempo da inscrição, naturaliza o excesso. E o horror, ao invés de
provocar reação, se torna rotina. Desmentimos coletivamente.
Contudo, ainda que possamos pensar alguns eventos traumáticos
como sendo o retorno do recalcado civilizatório, trata-se de um recalcado
coletivo, cuja inscrição psíquica está no campo do grande Outro. Singular-
mente, não há registro real, vivido. Há algo que irrompe como um excesso
inédito. O real retorna como uma espécie de novo horror, um sem-ante-
cedente. Um real sem passado, que nos deixa órfãos de memória e de
sentido.
Se a verdade aparece como furo, o horror contemporâneo exige
de nós, psicanalistas, uma ética. Como Lacan nos lembra: “A verdade tem
estrutura de cção” (LACAN, 1959 -1960, p. 13). Ou seja: ela precisa ser
construída, através da palavra. Aliás, do ensino de Lacan é fácil concluir
que a função do analista é justamente encarnar a ausência de garantia.
IV – Um Outro tipo de assombro
Deparei-me recentemente com o que penso possa ser uma espécie
de assombro não abordado por Freud, que é quando o sujeito se defron-
ta com o que poderia ser chamado um outro grande Outro. Ou seja, um
sistema simbólico completamente diferente daquele no qual o sujeito in-
seriu-se. Talvez seja apenas possível quando alguém se percebe com uma
civilização ou um mundo diferente do seu.
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No podcast “Dois Mundos” (Folha, 2025), um indígena de pouco
contato da etnia madiha Kulina, cruza mais de 1000 km de selva virgem,
com sua esposa, levados pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas1
(FUNAI), buscando atendimento hospitalar para uma emergência no par-
to. O casal Tadeo Kulina e Ccorima Kulina, prestes a ter o primeiro lho,
é transportado primeiro de barco e depois de helicóptero até Manaus,
cidade de dois milhões de habitantes.
Chegando no hospital, Corima é atendida e Tadeo mandado embo-
ra, sem jamais haver estado em uma cidade, sequer ter ideia do que era
o helicóptero no qual andou e passando pela experiência de ver nascer
seu primogênito. Não havia ninguém da FUNAI para acompanhar Tadeo
a uma casa de assistência, como seria o procedimento nesse caso. Ele
não falava uma palavra em português. Quando saiu do hospital, estava
em surto psicótico. Seu corpo foi encontrado posteriormente. Embora
suspeite-se que seu assassino seja policial, uma coisa é certa: Tadeo foi
aniquilado por um sistema de códigos diferente do seu.
Aqui, o assombro capaz de ensejar uma psicose é o choque com
um Outro mundo, ou um ‘mundo Outro’, com códigos e signos completa-
mente desconhecidos pelo sujeito. Tais elementos sequer estão presen-
tes no seu grande Outro, poderíamos dizer.
Uma narrativa semelhante pode ser escutada em primeira pessoa,
pela voz de Equiano (1789), um negro escravizado que relata seu choque
ao entrar no navio negreiro:
O primeiro objeto que saudou meus olhos quando cheguei à costa foi
o mar e um navio negreiro, que então estava ancorado, aguardando
sua carga. Isso me encheu de assombro, que logo se transformou em
terror quando fui levado a bordo. Fui imediatamente apalpado e jo-
gado para o alto, para ver se eu estava em boas condições, por alguns
dos tripulantes; e então me convenci de que havia entrado em um
mundo de maus espíritos e que eles iriam me matar.
As suas compleições, tão diferentes das nossas, os cabelos compridos
e a língua que falavam (tão diferente de qualquer uma que eu já tives-
se ouvido) conrmaram-me ainda mais essa crença. (...)
Quando olhei em volta do navio e vi um grande forno ou caldeira fer-
vendo, e uma multidão de pessoas negras de toda descrição acorren-
tadas, cada rosto expressando abatimento e tristeza, já não duvidei
do meu destino; e, completamente dominado pelo horror e pela an-
gústia, caí imóvel no convés e desmaiei.
Quando recuperei um pouco os sentidos, encontrei algumas pessoas
negras ao meu redor, que acreditei serem aqueles que me haviam
trazido a bordo e estavam recebendo seu pagamento; eles falavam
comigo para me animar, mas em vão. Perguntei-lhes se não seríamos
comidos por aqueles homens brancos de aparência horrível, rostos
vermelhos e cabelos soltos. Disseram-me que não; e um dos tripulan-
tes trouxe-me uma pequena porção de bebida espirituosa em uma
taça de vinho; mas, com medo dele, não aceitei da sua mão” (Equiano,
1789 -traduzido pelo ChatGPT).
1 Trata-se de um órgão federal brasileiro,
vinculado ao Ministério dos Povos
Indígenas, responsável por proteger,
promover e garantir os direitos dos povos
indígenas no Brasil.
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Em ‘O Aleph’, Borges narra a existência de um ponto secreto, no
porão de uma casa comum, em que tudo que há no mundo pode ser vis-
to, ao mesmo tempo. Neste lugar, nada escapa. Cada detalhe, cada gesto,
cada acontecimento da Terra, todos simultaneamente inscritos em um
único ponto.
Ao descrever essa experiência, Borges diz:
Vi o Aleph, do ponto do qual se veem todos os pontos. [...] Vi o
olho violeta de um tigre, o zênite de uma rosa, uma relíquia persa, a
circulação do meu próprio sangue, a engrenagem do amor e a mo-
dicação da morte, vi o Aleph de todos os lugares da Terra (2009,
p. 169).
Mas, tomado por tudo, o olhar se desfaz em excesso. A experiên-
cia do Aleph é insuportável: o que ele oferece não é a totalidade, mas o
insuportável da totalidade. Trata-se de um saber que ultrapassa o sujeito.
Ver tudo neste nível é não ver mais nada, a função signicante entra em
curto-circuito.
Embora como analistas não nos deparemos frequentemente com
este tipo de assombro, me vem à cabeça D.H. Lawrence, em seu romance
O Homem que Morreu. Depois de ser crucicado, o protagonista uma
gura crística — renasce, e parte andando sem ser reconhecido.
Andrajoso, desesperançado, ele se aproxima de uma cabana. Me-
lancólico, escuta, em meio ao silêncio do mundo, o canto de um galo. E
é nesse instante banal que a vida irrompe. Diz Lawrence: “Ele escutou o
galo, e o canto era a vida. Pela primeira vez, ele soube que estava vivo”
(2006, s/n.pág.).
Como fazer escutar o canto do galo? Nosso mundo está em ruínas.
Como arqueólogos do real, escutamos as camadas, as ssuras, os restos.
Mas é preciso restaurar o canto do galo, um mínimo sinal que ecoe no
interior de nossos analisandos, insistindo que ainda há vida.
Referências bibliográcas
BORGES, J. L. (2009a). O Aleph. São Paulo: Companhia das Letras.
BORGES, J. L. (2009b). O outro. In O livro de areia. São Paulo: Companhia das Letras.
EQUIANO, O. (1789). The interesting narrative of the life of Olaudah Equiano, or Gustavus
Vassa. London: Printed for and sold by the Author. Project Gutenberg
FREUD, S. (1996). Um distúrbio de memória na Acrópole. In Obras completas (Vol. 22). Rio de
Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1936).
LACAN, J. (1988). O seminário, livro 7: A ética da psicanálise (1959–1960). Rio de Janeiro: Zahar.
LACAN, J. (1985). O seminário, livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise
(1964). Rio de Janeiro: Zahar.
LAWRENCE, D. H. (2006). O homem que morreu. São Paulo: Estação Liberdade.
MALINOSKI, A. (2025, 30 de janeiro). “Parece que foi um pesadelo”: Como está a vida dos
migrantes climáticos após a enchente de maio. Gauchazh. Porto Alegre. Gauchazh
SASSINE, V. (2025, 31 de maio). Dois mundos: Nascimento e morte [Podcast]. Em Café da
Manhã. Spotify. Spotify