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INTERCAMBIO PSICOANALÍTICO, 17 (1), 2026, pp 110 - 123
ISSN 2815-6994 (en linea) DOI: 10.60139/InterPsic/17.1.10
Embora, o informe da Comissão da Verdade sobre esse massacre
tenha apontado os militares implicados como executores e, posterior-
mente, condenados, estes não caram presos, mas foram anistiados pelo
governo. Isso signica não os responsabilizar, ou seja, isso implica em um
desmentido social. Essa anistia, talvez, faça sentido para uma parte da
população; mas para a outra parte, ela traz um silêncio ensurdecedor.
Conclusão
Castellanos Moya, por meio de seu personagem, evidencia de for-
ma explícita que, no contexto do pós-guerra, a memória é vivenciada
como uma herança maldita, algo que deve ser eliminado e combatido
como se fosse uma farsa. Nesse sentido, observa-se que o trauma passa a
ocupar o lugar da memória, congurando o que pode ser compreendido
como uma memória traumática.
É emblemático que, durante o processo de elaboração desta disser-
tação, no aniversário dos Acordos de Paz, em 16 de janeiro de 2022, o pre-
sidente Nayib Bukele tenha se referido a esses acordos como uma “farsa”.
Nesse mesmo contexto, o presidente instituiu um decreto que alterou a
denominação da data, anteriormente conhecida como “Aniversário dos
Acordos de Paz”, passando a chamá-la de “Dia Nacional das Vítimas do
Conito Armado”. Tal gesto evidencia a importância do fortalecimento
das políticas da memória em El Salvador, ao reconhecer a memória como
um patrimônio social que deve ser preservado e valorizado, especialmen-
te para as novas gerações. A mudança da nomenclatura pode ser com-
preendida como um movimento de elaboração do trauma, na medida em
que reconhece que a violência exercida não pode ser apagada ou descon-
siderada. Nesse processo de reconhecimento, a literatura do pós-guerra
desempenha uma função fundamental que não deve ser negligenciada.
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