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Autoras: Berezin, A.; Wikinsky, M.; Feldman, L.
Ano: 2024 - 249 páginas
Editora: Noveduc, Buenos Aires.
I. Apresentação
Há algum tempo venho interagindo com a chamada inteligência
articial: porque meus pacientes mais jovens a introduzem na clínica e
ela constitui um território ainda em grande parte desconhecido, mas tam-
bém pela necessidade —não isenta de curiosidade— de compreender o
tempo em que vivemos.
Recentemente, a partir de uma sessão com uma jovem que enume-
rava as vantagens dos chamados bots terapêuticos, perguntamos juntas
ao ChatGPT qual seria a diferença entre um bot e um analista, e se a IA
poderia substituir o ofício do analista.
A resposta foi categórica: uma IA não pode substituir um terapeu-
ta porque não possui corpo, nem emoções, nem subjetividade. Acrescentou
que, embora possa compreender, analisar e acompanhar por meio da lin-
guagem, não é capaz de produzir um vínculo humano transformador.
Essa cena introduz, em chave contemporânea, uma pergunta que
atravessa o livro: o que dene o ofício do analista?
Durante boa parte da minha formação, deparei-me com obras ex-
tremamente interessantes sobre o ofício: formulações instigantes acerca
da técnica e da teoria, casos clínicos que evidenciavam o sofrimento e
suas transformações, análises magistrais e intervenções que alimenta-
vam meu desejo de saber. No entanto, muitas dessas obras se mostra-
vam enigmáticas no encontro com quem escrevia: textos esvaziados de
autor. Uma neutralidade que, na prática, torna-se oca —sem marcas da
presença do analista.
Isso contrasta com a referência constante ao fundador de nossa
disciplina, Sigmund Freud, que —tanto no texto quanto em seus paratex-
tos—, ao trabalhar sua obra e revisar sua casuística, deixa sinais precisos
de seu estar implicado: humano, sensível aos desdobramentos de seu
pensamento e de sua época, generoso ao compartilhar suas hesitações e
reformulações.
O livro de Ana Berezin, Mariana Wikinsky e Lila Feldman inscreve-se
nessa tradição de uma psicanálise implicada. Não se trata de uma obra
acadêmica no sentido mais clássico, ao menos não para quem espera
uma leitura distanciada. Aqui, a teoria não se apresenta como um corpo
estranho: ela pulsa e vibra ao ritmo daquilo que, no entrelaçamento entre
tempo e trauma, se reanima nos corpos daqueles a quem escutamos,
acompanhamos e sustentamos em seu sofrimento.
Trata-se de uma escrita comprometida, que articula três analistas,
três gerações e um ofício que as atravessa e transforma. Nessa mesma
medida, intervém no leitor: o toca, o afeta, o desestabiliza.
TRAUMA E TEMPO.
O OFÍCIO DO ANALISTA
EM TRÊS GERAÇÕES
Resenha redigida por
Solange Wonham1
1 Licenciada e Professora em
Psicologia (UNLP) – Especialista
em clínica de adultos e idosos
(certicação concedida pelo
Colégio de Psicólogos da Província
de Buenos Aires, Distrito XI)
– Graduada pela escola de pós-
graduação Psicanálise das Infâncias
e Adolescências (ASAPPIA) – Docente
do ensino superior no ISFDyT nº 49
de Brandsen – Membro aderente da
ASAPPIA.
Publicações em revistas
especializadas.