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INTERCAMBIO PSICOANALÍTICO, 14 (2), 2023, pp 64 - 72
ISSN 2815-6994 (en linea) DOI: doi.org/10.60139/InterPsic/14.2. 5/
JUAN Y LA MÁQUINA
DEL TIEMPO: EN LA
CONSTRUCCIÓN DE LO
FRATERNO
JUAN E A MÁQUINA DO TEMPO: NA
CONSTRUÇÃO DO FRATERNO
JOHN AND THE TIME MACHINE: IN THE
FRATERNAL CONSTRUCTION*
Regina Tagliabue G
Asociación Peruana de Psicoterapia Psicoanalítica
de Niños y Adolescentes
ORCID: 0000-0002-2254-5517
Correo electrónico: tagliabue.ry@gmail.com
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Tagliabue G R. (2023) JUAN Y LA MÁQUINA DEL TIEMPO: EN LA CONSTRUCCIÓN DE LO FRATERNO
Intercambio Psicoanalítico 14 (2), DOI: DOI.ORG/10.60139/INTERPSIC/14.2. 5/
Creative Commons Reconocimiento 4.0 Internacional (CC By 4.0)
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“Juan construiu uma máquina do tempo, pegou três dos
seus porquinhos e deixou-os abandonados (…) Juan os
havia levado para o passado”. (Diego, 8 a. 8m.)
Este trabalho tenta explicar uma das formas pelas quais uma criança em
idade de latência vivencia a chegada do seu primeiro irmão. A reexão
é baseada em histórias elaboradas por Diego, utilizando algumas fotos
da prova Pata Negra como estímulo desencadeador. Diego foi uma das
crianças que participou de uma investigação sobre o nascimento do pri-
meiro irmão. Diego tinha 8 anos e 8 meses e era lho único 8 anos,
até nascer seu irmão, quem no momento da investigação tinha 8 meses
de nascido.
Diego conta a história de um porquinho chamado Juan. Ele começa sua
história contando que Juan era um porquinho solteiro e um dia ele e
seu amigo estavam procurando uma namorada e não encontravam.
Procuraram uma porquinha que ambos gostassem e começaram a dis-
cutir sobre quem ela escolheria entre os dois. Ele conta que cada um
cou o mais bonito que pôde e zeram uma aposta e concordaram em
fazer uma corrida em que enfrentariam muitos obstáculos. O ganhador
caria com a porquinha. Juan ia ganhando, mas o outro porquinho o
ultrapassou trapaceando. A porquinha descobriu a armadilha do amigo
e escolheu a Juan. A porquinha e Juan se apaixonam e ela ca grávida.
A partir daí Juan não podia dormir e quando a porquinha deu à luz sua
insônia piorou. Juan começou a acreditar que a porquinha amava mais
os porquinhos bebês que a ele. Como não pôde suportar esta situação,
ocorreu-lhe criar uma máquina do tempo que lhes permitissem voltar
ao passado e recomeçar a corrida com seu amigo. Seu objetivo era que,
dessa segunda vez, chegassem empatados, a porquinha caria sozinha
e “já não teria lhos”. O amigo ganhou, mas Juan também não queria
que a porquinha casse com o amigo, pois queria a porquinha somente
para ele. Então, volta a programar a máquina do tempo e ele ganha a
corrida e se casa com a porquinha. Novamente ela engravida e nascem
quatro porquinhos. Ele volta diversas vezes ao passado para reverter a
situação, tentando que a porquinha não casse grávida, mas terminava
tendo bebês. Como não tolerava a realidade, decide colocar os porquin-
hos na máquina do tempo para levá-los ao passado e “abandoná-los lá”.
Mas ao fazer isso um dos porquinhos escapou cando com a mãe por-
quinha. Este porquinho procurou por muito tempo a seus irmãos sem
encontrá-los, também não se lembrava da máquina do tempo que seu
pai Juan construiu. O porquinho bebê continuava procurando por eles
porque se sentia culpado, até que os encontrou perto de um rio e os
trouxe de volta. Juan aceita a presença dos porquinhos, embora quando
todos os irmãozinhos estavam juntos começavam a brigar porque não
era fácil para eles combinarem nos jogos.
JUAN E A MÁQUINA DO TEMPO:
NA CONSTRUÇÃO DO FRATERNO
Regina Tagliabue G1
1Regina Tagliabue éPsicóloga Clínica
e Psicoterapeuta Psicanalítica de
Crianças e Adolescentes.Mestre
em Estudos Teóricos em
Psicanálise.Doutoranda em Estudos
Psicanalíticos pela Pontifícia
Universidade Católica do Peru -
PUCP.Graduado em Fundamentos
e Práxis pela Clínica Psicanalítica
de Winnicott pela Univ.Diego
Portales.UDP-Chile.Graduada pelo
Centro de Psicoterapia Psicanalítica
de Lima - CPPL.
Ex-presidente da Associação
Peruana de Psicoterapia Psicanalítica
de Crianças e Adolescentes
(APPPNA).Membro da Associação
de Psicoterapia Psicanalítica-
ADPP.Coordenadora e supervisora
do estágio no Centro de Psicoterapia
Psicanalítica de Lima-CPPL.Professor
do Instituto Psicanalítico
Interdisciplinar-IPI.Professor de
Psicologia da Universidade Peruana
de Ciências Aplicadas UPC.Professor
da Escola de Pós-Graduação da
Universidade Continental.
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O lugar do irmão
As relações fraternas, com particularidades diferentes daquelas esta-
belecidas entre pais e lhos, ocupam um lugar destacado na vida das
pessoas, deixando marcas fortes na constituição do psiquismo (Brusset,
1987). Depois da relação com os pais, a relação entre irmãos são, muitas
vezes, as únicas permanentes, mais sustentadas e contínuas que aque-
las estabelecidas com outros pares especícos. Embora a experiência
entre irmãos não seja um requisito indispensável para a implementação
do potencial de desenvolvimento de uma criança, oferece oportunida-
des de enriquecimento e aquisição de habilidades para o intercambio
social e o desenvolvimento progressivo, proporcionando experiências
que permitem aprender a regular e potenciar os estados psicológicos
(Provence e Solnit, 1983).
Tem havido uma tendência a conceituar o papel do irmão como um
substituto parental, a partir do deslocamento do conito edipiano ou
como uma relação marcada pelo conito -ciúmes, ódios e rivalidade-
sendo visões que bloqueiam a compreensão de como o irmão participa
nos processos de desenvolvimento criativo, nas representações de vín-
culos mais complexas e está ligado ao desdobramento dos investimen-
tos libidinais e agressivos presentes no jogo da trama horizontal.
Alguns teóricos psicanalíticos (Brusset, 1987; Kaës, 2008; Kancyper,
2003; Lacan, 1938; Laplanche e Pontalis, 1971) incorporaram a noção
de Complexo Fraterno, conferindo-lhe uma função estruturante e um
caráter fundador na formação da vida anímica do indivíduo, dos povos e
da cultura que participa na estruturação das dimensões intrasubjetivas
e intersubjetivas, na constituição do superego, do eu ideal e da escolha
do objeto amoroso. Da mesma forma, sustentam que o Complexo Fra-
terno e o Complexo de Édipo estão ligados e integrados como dois eixos
fundamentais na estruturação da psique e, além disso, pode ser con-
cebido como um pivô (Moguillansky, 2004) que permite compreender
melhor as inter-relações que ocorrem entre o Narcisismo e o Comple-
xo de Édipo. O eixo vertical é colocado pelo Complexo de Édipo, unindo
a sexualidade e a diferença geracional, e o eixo horizontal é dado pelo
complexo fraterno, que permite expressar as formas de amor e de ódio
em relação ao semelhante vivenciado como intruso.
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Nas histórias criadas por Diego, o deslocamento da rivalidade e da
competição fraterna pode ser apreciado na gura de dois porquinhos
amigos, que competem pelo amor de um mesmo objeto, a namorada
porquinha; que, ao escolher um, o outro é excluído: “Um dia o porquinho
Juan estava procurando uma namorada com seu amigo […] uma porquinha
que os dois gostavam. Então, discutiam quem seria escolhido […] cada um
cou o mais bonito que pôde para que a porquinha pudesse escolher. A por-
quinha disse […] não, você trapaceou, vou car com o outro”.
As relações entre irmãos podem ter um impacto na vida psíquica e in-
uenciar profundamente nos traços de carácter, assim como na escolha
do objeto amoroso (Kaës, 2008; Neubauer, 1983; Parens, 1988). As diver-
sas experiências entre irmãos contribuem (Solnit, 1983) para o desen-
volvimento da capacidade de confrontar, resolver obstáculos, conitos
intrapsíquicos, interpessoais e de desenvolvimento, promovendo assim
uma relação saudável e duradoura. O que torna possível, sobretudo,
quando predominam as relações positivas entre pais e lhos e entre os
mesmos pais.
Freud (1916) já sustentava que não existia quarto de crianças sem con-
itos entre seus habitantes; relação que, muitas vezes, pode ser pro-
cessada benecamente no futuro: “Muitos adultos que hoje se apegam
ternamente a seus irmãos e irmãs, e os ajudam, viveram na sua infância
uma hostilidade quase ininterrupta com eles” (Freud, 1900, p.260).
Diego e o nascimento do seu primeiro irmão e o “complexo de in-
truso”.
Na entrevista com os pais, a mãe de Diego comentou que seu lho tinha
um forte apego a ela e que tinha se acostumado a dormir no quarto dos
pais até pouco tempo antes do nascimento do irmão. Ambos os pais
o caracterizam como uma criança diligente, preocupada, organizada e
responsável; muito empático e carinhoso com os outros. Ocorrem dois
acontecimentos que estão interligados: o pai começa a viajar a trabalho,
cando longos períodos de tempo ausente, ao mesmo tempo Diego ca
sabendo, por acaso, da chegada do seu primeiro irmão. Um dia a mãe
lhe disse que ia ao médico e que ela teria que car vários dias internada,
pois havia risco de perda. A mãe relata: “Ele não sabia, mas quando nos
sentamos para conversar e contamos a ele, -depois que ele saiu do hos-
pital- ele nos falou que já sabia que ela estava grávida e que queria um
irmão homem”. Depois, quando nasce o irmão, comenta a mãe, “no colé-
gio ele conta a todos os seus amigos que seu irmãozinho era grande. Lá fala-
va o dia todo do irmãozinho, mas em casa, ele negava […] ´agora compram
tudo para ele e para mim não compram nada´, ´é que agora passa muito
tempo com meu irmãozinho e comigo nada. …. Você já não me fala que me
ama, já não me fala que me quer´. E nós pensávamos que esse sofrimento
tinha que passar, mas vemos que está se tornando crônico”.
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O carácter de Diego mudou, se tornou rebelde e questionador. O pai
comenta que quando chega algum familiar para visitá-los, eles cumpri-
mentam Diego, mas em seguida toda a atenção se volta para o bebê e
ele pensa que isso “foi um duro golpe para Diego”.
As observações clínicas fornecidas por Freud e Lacan concentram-se no
chamado “complexo do intruso”. O irmão pode chegar a ser percebido
como um usurpador todo-poderoso, onde seu aparecimento o coloca
na posição de um irmão “rival”, confrontando-o e inigindo-lhe uma fe-
rida narcísica. Freud destacou a queda narcísica e o impacto traumático
que advém da chegada ao mundo de um irmão ou irmã. A criança deixa
de ser o centro do mundo, se sente invadida pelo ciúme e pelo ódio
por esse “intruso” com quem compete pela posição que acredita ter no
amor dos seus pais, especialmente da mãe. Perspectiva em que esse
outro” chamado irmão” é integrado a partir do conito, onde “Aquele,
ainda lho ou lha única, por um tempo, ou seja, o primogénito que
aquele outro surgir no seu universo e depois o integra a ele de maneira
conituosa […] nesta hostilidade primitiva” (Freud, 1916-1917, p.304).
Diego, assim como projeta em suas histórias, sente que toda a atenção
está voltada para o irmão bebê, quando ele deseja seguir mantendo o
olhar exclusivo da mãe. Ele reclama da atenção que o novo bebê recebe,
sentindo-se deslocado porque a ele já não diz que o ama. No entanto, a
mãe relata que, quando está com o irmãozinho sua atitude é diferente:
Diego olha para seu irmão e seu irmão está jaja ja ji jiji. É super amoroso
com o irmão. É muito meigo, demonstrativo de carinho. No dia, pode ser que
não se despida de mim, mas sim se despede dele”
O irmão e a ativação da pulsão de saber: “De onde vêm as crianças?”
A chegada ao mundo de um irmão ou uma irmã serve de incentivo à
curiosidade infantil, sendo esse recém-chegado desejável e indesejável
aquele que provoca o encontro traumático com um semelhante- dife-
rente e que desperta a pulsão de saber de onde vêm as crianças? per-
gunta que aponta para o caráter fraterno: De onde vem meu irmão? De
onde vem esse intruso não esperado, cuja presença me faz sentir que
perco a exclusividade? Chegada que é vivida como perigosa, na compe-
tição pelo amor dos pais, especialmente da mãe. Querer saber como é
que posso voltar a esse intruso pode levar a criança a uma busca criati-
va onde o sujeito inconsciente investiga indutivamente (Assoun, 1998).
Mas, também, o nascimento de um irmão o conecta com a possibilidade
de se perguntar sobre sua própria origem.
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Com a observação do “Pequeno Hans” (1909), Freud aponta como, a
partir da chegada da sua irmã, a criança vai construindo algumas teo-
rias sexuais infantis que respondem a um desejo de pesquisa e à sua
própria curiosidade sexual, e o incita a um trabalho mental que estimula
a pulsão de saber na criança “destronada”. Kaës (1994) sustenta que o
irmão não é somente um semelhante, que pode representar uma pos-
sibilidade de ameaça, mas é também aquele que reativa o pensamento
e o chama de co-pensador. Acrescenta que o pensamento não é possível
sem a presença de outro(s) pensante(s), porque o pensamento surge na
relação intersubjetiva. Da mesma forma, o irmão, além de ser uma fonte
de diversão, permite proporcionar oportunidades enriquecedoras para
a elaboração da fantasia e do jogo mútuo, assim como para se estimula-
rem mutuamente, aprendendo e ensinando (Ritvo, 1967).
Diego cria “a máquina do tempo” como um ato mágico contra o pertur-
bador intruso.
Juliet Mitchell (2003) argumenta que a chegada do irmão provoca ansie-
dade de aniquilação na qual o irmão mais velho percebe que ele ou ela
não são únicos, mas que alguém está no lugar onde ele estava antes”
dando um golpe narcisista profundo, mais primitivo do que a ansiedade
de castração.
Com a chegada do irmão, Diego deseja voltar a ser lho único e parar na
primeira cena familiar idealizada com a mãe, o pai e o lho: “O porquinho
sonhou que a mãe ia dar à luz mais porquinhos. Isso foi um sonho, mas foi
como um pesadelo maior porque ele não queria. Quando se levantou todos
voltaram a ser uma família tranquila”
Diante do impacto da realidade, a chegada do irmão é sentida por Diego
como uma ameaça de perda da exclusividade e do amor da mãe. Sur-
gem fantasias de fazer desaparecer o irmão e que assumem a forma de
um desejo de morte, e Freud o chama de “ato mágico contra o intruso
perturbador” (1917).
Diego imagina a história do porquinho Juan, que, sentindo-se excluído
pela chegada dos bebês porquinhos, inventou uma máquina do tempo
para “devolvê-los” ao passado. Representam o lho-irmão que chegam
para “roubar” o amor da esposa-mãe. Na primeira parte da história, o pai,
com quem Diego se identica, representa o excluído, e ao voltar ao pas-
sado na “máquina do tempo”, imagina que irá reconquistar o amor da
mãe: “[…] quando ela deu à luz, Juan não conseguia dormir […] a porquinha
teve porquinhos e os amava mais do que a ele […] queria construir algo para
voltar a conquistar à porquinha […] começou a construir a máquina do tem-
po, como umas dez mil vezes, mas acontecia sempre a mesma coisa e Juan
já não aguentava que a porquinha quisesse mais a seus lhos que a ele”.
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Diego estava vivenciando a chegada do irmão como ameaçante, sentin-
do que a presença do novo bebê o distanciava da sua mãe. O apareci-
mento prematuro do irmão o desestabiliza empurrando-o para um sa-
ber criativo. Assoun (1998) sustenta que é o irmão quem abre o caminho
do conhecimento empírico e faz nascer no irmão mais velho um conhe-
cimento e desenvolve seu “espírito de investigador”. A pulsão de saber
[Wissensdrang] surge nas crianças sob o aguilhão das pulsões egoístas
com a chegada de um novo irmão, personagem estranho que aparece
de repente à porta e reclama um lugar, alguém que não era esperado,
mas com quem a partir de agora devemos contar.
Na história imaginada por Diego, diante da imposição da realidade onde
os irmãos chegaram para car, ele ativa sua “máquina do tempo” tentan-
do reverter o acontecimento indesejado e fazer desaparecer os porquin-
hos representantes do perturbador intruso, “[…] deixando os porquinhos
abandonados [...] no passado”, negando assim a dolorosa realidade que
tem que aprender a aceitar. Diego, ao ver ameaçada sua “propriedade
privada” como irmão mais velho, abre o pensamento criativo inventan-
do a “máquina do tempo” e investiga sobre o voltar ao tempo passado
e ir à origem, querendo prevenir o acontecimento indesejado. A pre-
sença do irmão se impõe como uma realidade e cará marcada como
experiência que se instalará no psiquismo, colocando-se a partir de uma
relação ambivalente, ou seja, para entrincheirar-se no conito marcado
pelo ódio, inveja e rivalidade.
Em suas narrativas, a porquinha ca somente com um bebê, podendo
estar representando-o em seu desejo de permanecer único. “[…] a por-
quinha só cou com um porquinho […] quando a mãe se virou, viu que Juan
estava levando os outros”.
Surgem sentimentos de culpa diante do seu desejo de desaparecer com
os irmãos, mas, também, aparecem sentimentos ambivalentes. “Ele se
sentia mal, porque ele amava muito seus irmãos […] mas igual não os tinha
encontrado e também não lembrava da máquina do tempo que seu pai Juan
tinha construído”. Na história contada por Diego, o porquinho que ca
se sentia mal ao se deparar com o desejo de querer que seus irmãos
desaparecessem. Os irmãos voltam para car e agora juntos competem,
brigam e se amam. Essas são as nuances do encontro fraterno: “[…] Juan
voltou com os irmãos […] eles começaram a brigar, embora se amassem,
começavam a brigar. Porque brincavam, mas um queria procurar, e o outro
não queria contar.”
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Agora Diego aceita a presença do irmão, posicionando-se como o irmão
mais velho. “Ele sente-se bem por ter tido um irmão, porque agora é o irmão
mais velho.”. A partir deste lugar, precisa fazer o luto para reestruturar
seu espaço interno e poder dar espaço a este outro semelhante, mas di-
ferente, chamado
irmão
. Kieer (2008), arma que a mãe tem um papel
importante nesse processamento do agora “lho mais velho” e sustenta
que a aceitação é processada quando se torna possível que ambos os
lhos consigam ter um lugar próprio e diferenciado na mente da mãe.
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Referencias:
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sobre hermanos y hermanas. Buenos Aires:
Ediciones Nueva Visión.
Kaës, R. (2008). Le complexe fraternal. Paris:
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Kancyper, L. (2004). El complejo fraterno:
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Editorial Lumen.
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Kris, M. y Ritvo, Samuel (1983). Parents and Siblings – Their Mutual Inuences. En: Psychoanalytic
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Mitchell, J. (2006). Siblings Relationships. London: Karnac Books.
Provence, S. y Solnit, A. (1983). Development-Promoting Aspects of the Sibling Eperience- Vicarious
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Tagliabue, R. (2012) La experiencia de tener un hermano en niños de ocho a diez años. Tesis
para optar el grado de Magister en Estudios Teóricos en Psicoanálisis. Ponticia Universidad
Católica-PUCP. Visto el 1de noviembre del 2023 en:
hps://tesis.pucp.edu.pe/repositorio/bitstream/handle/20.500.12404/1542/TAGLIABUE_GANOZA_REGINA_
EXPERIENCIA_HERMANO.pdf?sequence=1&isAllowed=y