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“Juan construiu uma máquina do tempo, pegou três dos
seus porquinhos e deixou-os abandonados (…) Juan os
havia levado para o passado”. (Diego, 8 a. 8m.)
Este trabalho tenta explicar uma das formas pelas quais uma criança em
idade de latência vivencia a chegada do seu primeiro irmão. A reexão
é baseada em histórias elaboradas por Diego, utilizando algumas fotos
da prova Pata Negra como estímulo desencadeador. Diego foi uma das
crianças que participou de uma investigação sobre o nascimento do pri-
meiro irmão. Diego tinha 8 anos e 8 meses e era lho único há 8 anos,
até nascer seu irmão, quem no momento da investigação tinha 8 meses
de nascido.
Diego conta a história de um porquinho chamado Juan. Ele começa sua
história contando que Juan era um porquinho solteiro e um dia ele e
seu amigo estavam procurando uma namorada e não encontravam.
Procuraram uma porquinha que ambos gostassem e começaram a dis-
cutir sobre quem ela escolheria entre os dois. Ele conta que cada um
cou o mais bonito que pôde e zeram uma aposta e concordaram em
fazer uma corrida em que enfrentariam muitos obstáculos. O ganhador
caria com a porquinha. Juan ia ganhando, mas o outro porquinho o
ultrapassou trapaceando. A porquinha descobriu a armadilha do amigo
e escolheu a Juan. A porquinha e Juan se apaixonam e ela ca grávida.
A partir daí Juan não podia dormir e quando a porquinha deu à luz sua
insônia piorou. Juan começou a acreditar que a porquinha amava mais
os porquinhos bebês que a ele. Como não pôde suportar esta situação,
ocorreu-lhe criar uma máquina do tempo que lhes permitissem voltar
ao passado e recomeçar a corrida com seu amigo. Seu objetivo era que,
dessa segunda vez, chegassem empatados, a porquinha caria sozinha
e “já não teria lhos”. O amigo ganhou, mas Juan também não queria
que a porquinha casse com o amigo, pois queria a porquinha somente
para ele. Então, volta a programar a máquina do tempo e ele ganha a
corrida e se casa com a porquinha. Novamente ela engravida e nascem
quatro porquinhos. Ele volta diversas vezes ao passado para reverter a
situação, tentando que a porquinha não casse grávida, mas terminava
tendo bebês. Como não tolerava a realidade, decide colocar os porquin-
hos na máquina do tempo para levá-los ao passado e “abandoná-los lá”.
Mas ao fazer isso um dos porquinhos escapou cando com a mãe por-
quinha. Este porquinho procurou por muito tempo a seus irmãos sem
encontrá-los, também não se lembrava da máquina do tempo que seu
pai Juan construiu. O porquinho bebê continuava procurando por eles
porque se sentia culpado, até que os encontrou perto de um rio e os
trouxe de volta. Juan aceita a presença dos porquinhos, embora quando
todos os irmãozinhos estavam juntos começavam a brigar porque não
era fácil para eles combinarem nos jogos.
JUAN E A MÁQUINA DO TEMPO:
NA CONSTRUÇÃO DO FRATERNO
Regina Tagliabue G1
1Regina Tagliabue éPsicóloga Clínica
e Psicoterapeuta Psicanalítica de
Crianças e Adolescentes.Mestre
em Estudos Teóricos em
Psicanálise.Doutoranda em Estudos
Psicanalíticos pela Pontifícia
Universidade Católica do Peru -
PUCP.Graduado em Fundamentos
e Práxis pela Clínica Psicanalítica
de Winnicott pela Univ.Diego
Portales.UDP-Chile.Graduada pelo
Centro de Psicoterapia Psicanalítica
de Lima - CPPL.
Ex-presidente da Associação
Peruana de Psicoterapia Psicanalítica
de Crianças e Adolescentes
(APPPNA).Membro da Associação
de Psicoterapia Psicanalítica-
ADPP.Coordenadora e supervisora
do estágio no Centro de Psicoterapia
Psicanalítica de Lima-CPPL.Professor
do Instituto Psicanalítico
Interdisciplinar-IPI.Professor de
Psicologia da Universidade Peruana
de Ciências Aplicadas UPC.Professor
da Escola de Pós-Graduação da
Universidade Continental.