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INVESTIGAÇÃO SOBRE O ASSUNTO:
Para a pesquisa de fundo, foi efectuada uma investigação sobre o tema,
incluindo as palavras - chave: comunidade, assexualidade e psicanálise.
Encontrámos, revimos e seleccionámos obras em espanhol da América
Latina e de Espanha, das quais recolhemos os resultados mais signica-
tivos.
Dana (2020) identica e caracteriza a comunidade assexual da Área Metro-
politana de Buenos Aires. Abordam o estudo a partir de uma perspetiva
das ciências sociais. Utilizam como fontes as entrevistas semiestruturadas
em profundidade com pessoas assexuais que se encontram em comu-
nidades virtuais no Facebook, a análise do conteúdo virtual do grupo do
Facebook “Eu também sou assexual - Argentina” (YTSAA) e a revisão biblio-
gráca e fontes secundárias (publicações em revistas ou suplementos de
menor circulação sobre questões de género e sexualidade). Denem a as-
sexualidade como baixa ou nenhuma atração sexual intersubjetiva. Entre
os resultados, constataram que a assexualidade é ainda pouco numerosa
e largamente desconhecida, e que está ligada principalmente através de
plataformas virtuais. Manifestam a sua oposição à normatividade sexual
e exigem um lugar nos espaços de diversidade sexual, a visibilidade e o
respeito pela assexualidade como orientação sexual válida e a sua despa-
tologização. Observa-se uma politização incipiente deste grupo, entendi-
da como o seu aparecimento no espaço político público e a formulação de
posições e exigências políticas particulares.
Gelpi e Suñol (2021) procuram promover o aumento da produção de co-
nhecimento sobre a assexualidade a partir de um ponto de vista crítico,
uma vez que esta ocupa atualmente um lugar periférico na agenda de
investigação sobre a sexualidade humana na região. O estudo é aborda-
do a partir do campo da psicologia, em diálogo com outras disciplinas. As
experiências clínicas e a revisão da literatura são utilizadas como fontes.
Não denem a assexualidade a priori, o que é precisamente parte dos ob-
jetivos da investigação, e cruzam os três elementos de como é atualmente
abordada: orientação sexual, identidade ou perturbação. Os resultados
consistem em ampliar a produção de conhecimento sobre a assexualida-
de, apontando a importância de se rever verdades inquestionáveis sobre
a sexualidade humana, gerando questionamentos sobre a ética das inter-
venções com essa população.
Alvarez (2010) se propõe investigar a identidade assexual e compreender
como são as pessoas que se denem como assexuais, que discurso as
une e como este se torna signicativo no seu quotidiano e, sobretudo,
que impacto este fenómeno cultural pode ter nas formas sociais atuais
de conceber as relações sexuais. Abordam esta investigação a partir do
domínio das Ciências Sociais (antropologia social). Utilizam como fonte
um questionário que foi respondido por 145 estudantes universitários, 79
mulheres e 66 homens. Denem as pessoas assexual como aquelas que
renunciam ao sexo, não o consideram importante nas suas vidas ou podem
viver sem sentir necessidade dele. Entre os resultados, nenhum dos entre-
vistados se deniu como assexual e há um grande desconhecimento
INTERCAMBIO PSICOANALÍTICO, 14 (2), 2023, pp 114 - 124
ISSN 2815-6994 (en linea) DOI: doi.org/10.60139/InterPsic/14.2. 10/
6 Lic. Psicologia (UNLP). Pós-
Graduação em Psa. da infância e
adolescência-Asappia. Colaborador
docente na pós-graduação –
ASAPPIA. Última publicação: revista
digital “Controvérsias” (2023).
7 Mestre Psicologia Clínica, (UDELAR).
Esp. em Psicologia nos Serviços de
Saúde (Udelar), Esp. em Psicoterapia
Psicanalítica nos Serviços de Saúde
(UDELAR). Professora do Instituto de
Psicologia Clínica Fac.de Psicologia.
Membro da SPR. Membro da
AUDEPP.
8 Mestre em Sociologia. Psicanalista.
Publicações: Fobia, Vida e Afetos:
Leituras Cruzadas Rolla e Lowen
(https://www.rodulfos.com/fobia-
vida-y-afectos-lecturas-cruzadas-
rolla-y-lowen/). De lo inconsciente lo
inaudito, o de lo que no se escribe.
Revista Calibán da Fepal.