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Autores: Carlisky, N., Zukerfeld,
R., Zonis Zukerfeld, R., Baldin, A.,
Boz, S., Cartaña, S., Cayupan, M.,
Falcone, J.J., Frigerio, R., Rodri-
guez Raaeli, N., & Tripcevich
Piovano, M.
Ano: 2023 – 17 páginas
Em: Calibán, Revista Latinoameri-
cana de Psicoanálisis. Erótica, vol.
21 (1), pp. 272-289.
FEPAL (Federação Psicanalítica da
América Latina)
https://calibanrlp.com
Resenha realizada por: Liz Coronel
Considero importante iniciar esta resenha salientando que este artigo,
vencedor do Prémio Psicanálise e Liberdade da Fepal (2022), é o resul-
tado do trabalho de uma equipa de investigação. Eles se lançaram em
uma investigação aprofundada do que os mais diversos autores, a co-
meçar por Freud, escreveram sobre o tema. O que é neutralidade?, por
qué neutralidade?, quando a neutralidade perde seu valor e se torna
prejudicial tanto para o processo analítico quanto para o paciente?, são
as questões que norteiam esta escrita. Finalmente, partindo da comple-
xidade do impacto social da covid e das suas consequências, abordam
o problema do negacionismo e a necessidade de o analista, saindo da
neutralidade, assumir uma posição clara.
Um primeiro ponto importante é a necessidade de falar de neutralida-
de, sublinhando a pluralidade da técnica em função da singularidade
de cada par analítico. A neutralidade é denida em sua relação com a
abstinência, pois, nas palavras dos autores, tratar-se-ia de “abster-se de
dar conselhos, de satisfazer demandas e de escolher temas no discurso do
paciente”. No entanto, o analista é, em última análise, uma pessoa que
não pode eximir-se, mesmo no seu trabalho clínico, e para além de uma
análise pessoal exaustiva e de uma supervisão cuidada, de um contexto
cultural e de um modo de pensar construídos através da sua própria
história pessoal. Assim, a neutralidade torna-se uma tarefa impossível
mas não menos necessária, a questão é que a técnica não se refere ao
que o analista deve pensar mas ao modo como intervém, é no seu dis-
curso e não necessariamente no seu pensamento ou sentimento que a
neutralidade deve ser procurada.
CRISES SOCIAIS E NEUTRALIDADE:
O PROBLEMA
DO NEGACIONISMO
Liz Coronel1
1 Candidata a analista da Associação
Psicanalítica Argentina, doutorando
em psicologia na Universidad del
Salvador, professor de psicopatologia
no Instituto Psicanalítico
Interdisciplinar, autor de vários
artigos sobre psicanálise e racismo
como Racismo, desobjecticação
e resíduos coloniais da pulsão de
morte.