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RESENHAS DE LIVROS
RESEÑAS
DE LIBROS
BOOK REVIEWS
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INTERCAMBIO PSICOANALÍTICO, 14 (2), 2023, pp 149 - 152
ISSN 2815-6994 (en linea) DOI: doi.org/10.60139/InterPsic/14.2. 14/
CRISIS SOCIALES Y
NEUTRALIDADES: EL PROBLEMA
DE LOS NEGACIONISMOS
CRISES SOCIAIS E NEUTRALIDADE: O
PROBLEMA DO NEGACIONISMO
SOCIAL CRISES AND NEUTRALITIES: THE
PROBLEM OF NEGATIONISM
Liz Coronel
Asociación de Psicoterapia Psicoanalítica de Perú
ORCID: 0009-0004-0020-9151
Correo electrónico: lizcorone.ll@gmail.com
Para citar este artículo / Para citar este artigo / To reference this article
Cornoel L.. (2023) CRISIS SOCIALES Y NEUTRALIDADES: EL PROBLEMA DE LOS NEGACIONISMOS
Intercambio Psicoanalítico 14 (2), DOI: doi.org/10.60139/InterPsic/14.2. 14/
Creative Commons Reconocimiento 4.0 Internacional (CC By 4.0)
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Autores: Carlisky, N., Zukerfeld,
R., Zonis Zukerfeld, R., Baldin, A.,
Boz, S., Cartaña, S., Cayupan, M.,
Falcone, J.J., Frigerio, R., Rodri-
guez Raaeli, N., & Tripcevich
Piovano, M.
Ano: 2023 – 17 páginas
Em: Calibán, Revista Latinoameri-
cana de Psicoanálisis. Erótica, vol.
21 (1), pp. 272-289.
FEPAL (Federação Psicanalítica da
América Latina)
https://calibanrlp.com
Resenha realizada por: Liz Coronel
Considero importante iniciar esta resenha salientando que este artigo,
vencedor do Prémio Psicanálise e Liberdade da Fepal (2022), é o resul-
tado do trabalho de uma equipa de investigação. Eles se lançaram em
uma investigação aprofundada do que os mais diversos autores, a co-
meçar por Freud, escreveram sobre o tema. O que é neutralidade?, por
qué neutralidade?, quando a neutralidade perde seu valor e se torna
prejudicial tanto para o processo analítico quanto para o paciente?, são
as questões que norteiam esta escrita. Finalmente, partindo da comple-
xidade do impacto social da covid e das suas consequências, abordam
o problema do negacionismo e a necessidade de o analista, saindo da
neutralidade, assumir uma posição clara.
Um primeiro ponto importante é a necessidade de falar de neutralida-
de, sublinhando a pluralidade da técnica em função da singularidade
de cada par analítico. A neutralidade é denida em sua relação com a
abstinência, pois, nas palavras dos autores, tratar-se-ia de abster-se de
dar conselhos, de satisfazer demandas e de escolher temas no discurso do
paciente”. No entanto, o analista é, em última análise, uma pessoa que
não pode eximir-se, mesmo no seu trabalho clínico, e para além de uma
análise pessoal exaustiva e de uma supervisão cuidada, de um contexto
cultural e de um modo de pensar construídos através da sua própria
história pessoal. Assim, a neutralidade torna-se uma tarefa impossível
mas não menos necessária, a questão é que a técnica não se refere ao
que o analista deve pensar mas ao modo como intervém, é no seu dis-
curso e não necessariamente no seu pensamento ou sentimento que a
neutralidade deve ser procurada.
CRISES SOCIAIS E NEUTRALIDADE:
O PROBLEMA
DO NEGACIONISMO
Liz Coronel1
1 Candidata a analista da Associação
Psicanalítica Argentina, doutorando
em psicologia na Universidad del
Salvador, professor de psicopatologia
no Instituto Psicanalítico
Interdisciplinar, autor de vários
artigos sobre psicanálise e racismo
como Racismo, desobjecticação
e resíduos coloniais da pulsão de
morte.
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Além disso, a neutralidade não é uma questão de aparência, não se refe-
re a evitar a expressão gestual que poderia ser ainda mais doutrinadora.
Segundo Viñar (1994), um analista hipomímico não é mais neutro do que
aquele que põe em jogo toda a sua pessoa; a neutralidade propriamente
dita consiste em abster-se de exercer o poder sugestivo ou doutrinário
que a regressão do paciente lhe confere. O valor da neutralidade consiste
em proteger o paciente dos nossos preconceitos e da nossa ideologia.
Ora, situações na realidade sociopolítica que exigem do analista o
rompimento da neutralidade sob o risco de produzir efeitos iatrogéni-
cos. Os autores referem-se às diversas crises que a América Latina está a
viver e tem vivido, tornando necessário abandonar a neutralidade para
tornar possível o processo analítico. Em particular, os acontecimentos
sociais disruptivos com potencial traumatogénico, em que o paciente foi
prejudicado, violado ou atacado na sua integridade ou dignidade, exi-
gem que o analista se solidarize com o desconforto do paciente, que lhe
diga que acredita nele e que não é neutro.
Outra situação em que o analista tem de sair da sua posição de neutra-
lidade e estabelecer rmemente a sua posição é o problema do nega-
cionismo e do discurso de ódio, que pode prejudicar a saúde e a vida
das pessoas, como foi o caso da pandemia de covid-19. O negacionismo
é denido como uma posição ideológica irracional de negação de um
facto da realidade histórica ou cientíca, substituindo-o por uma menti-
ra sem fundamento mas mais confortável. Distingue-se entre negacio-
nismo ativo e passivo, consistindo o primeiro num discurso intencional
com ns perversos, induzindo o percepticídio, “ou seja, negando a gravi-
dade da pandemia, a necessidade de restrições e, sobretudo, a importância
crucial da vacinação”. O segundo seria o efeito do primeiro sobre uma
parte da população que não tem pensamento crítico e tende a idealizar
guras pseudocientícas.
O negacionismo ativo baseia-se no tripé do perceptualismo, do funda-
mentalismo e do apelo à liberdade individual. O mecanismo do percepti-
cídio é abordado com especial atenção devido à problemática dos mass
media e dos algoritmos que, tendo a capacidade de penetrar na psique
individual e colectiva, podem anular ou alterar as capacidades percep-
tivas induzindo preferências baseadas em informações enganosas ou
descontextualizadas, podendo resultar em fenómenos de massa.
O fundamentalismo refere-se à ideia xa que não admite questiona-
mentos e o apelo à liberdade individual é o discurso utilizado para rejei-
tar as medidas de proteção. Os autores salientam que a liberdade abso-
luta não pode ser entendida como uma máxima cultural, uma vez que
a coexistência exige certas restrições, pelo que a liberdade só adquire o
seu verdadeiro valor quando é acompanhada por um sentido de comu-
nidade interiorizado.
INTERCAMBIO PSICOANALÍTICO, 14 (2), 2023, pp 149 - 152
ISSN 2815-6994 (en linea) DOI: doi.org/10.60139/InterPsic/14.2. 14/
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Finalmente, considero muito valiosa a inclusão de um fragmento de
uma carta de Freud a Fliess onde Freud reconhece que as recomenda-
ções que escreveu sobre a técnica são essencialmente de carácter ne-
gativo, o que, lamenta, foi tomado dogmaticamente por alguns analistas
dóceis, perdendo de vista o valor da elasticidade da técnica. Os autores
concluem que o seu trabalho procura reetir sobre o valor da integra-
ção da qualidade humana do analista que pode reconhecer que o seu
desejo é atravessado pela sua história e ideologia, evitando dissociações
que prejudicam a tarefa analítica e reivindicando a importância de
hierarquizar o paciente mais do que a técnica, evitando a submissão
rígida às suas regras.
INTERCAMBIO PSICOANALÍTICO, 14 (2), 2023, pp 149 - 152
ISSN 2815-6994 (en linea) DOI: doi.org/10.60139/InterPsic/14.2. 14/