VIVA A LIBERDADE, CARALHO! ENTRE A LIBERDADE PENSÁVEL E O ISOLAMENTO IMPENSÁVEL
Palavras-chave:
Liberdade pensável, Isolamento impensável, Interpsíquico, Fusão primária, NeoliberalismoResumo
Neste artigo, avaliamos criticamente a noção contemporânea de liberdade individual absoluta e oferecemos uma visão alternativa, a «liberdade pensável», que se fundamenta em modelos complexos da mente da psicanálise contemporânea.
Começamos mostrando que a prevalência do destrutivo em todos os domínios da nossa subjetividade (o intra, o inter e o trans-subjetivo, grupal/social) perverte a ideia de liberdade e confunde e ataca os vínculos profundos que nos sujeitam ao amor e ao vivo.
A perda dos vínculos comunitários existentes no período feudal foi progressivamente substituída pela fantasia de um indivíduo «sem necessidade dos outros» (incluindo o mundo natural que o sustenta). Com este pano de fundo histórico em mente, analisamos a natureza enganosa do atual mito da «liberdade individual irrestrita».
O ser humano enfrenta hoje condições críticas: não só não é livre, como os poderosos instrumentos atuais de subjetivação (manipulados e orientados para a sustentação do sistema) conseguiram instalar uma confusão entre liberdade e isolamento, por um lado, e entre liberdade e submissão ao sistema neoliberal, por outro.
Defendemos, ao contrário, que a prevalência do amor na comunidade humana interdependente é o que sustenta a liberdade possível numa vida vinculada ao entorno que lhe pertence e ao qual pertence.
Concluímos apresentando a nossa ideia de «liberdade pensável». Esta permite-nos articular o que consideramos ser o desafio vital para a comunidade psicanalítica: sonhar, criar e fazer em favor de uma transformação que nos permita fundar uma nova utopia onde nossos vínculos sejam propícios à prevalência do amoroso dentro de nós e entre nós.
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