¿AS DISSIDÊNCIAS SEXUAIS INCOMODAN A PSICANÁLISE?
Resumo
As experiências subjetivas sexuais e de gênero colocam para a psicanálise o desafio de questionar seu aparato conceitual e de sustentar uma ética que que permita a manutenção de uma escuta cuidadosa e atenta. Queremos sugerir que existe um tabu em relação ao corpo que impede essa escuta. O corpo é visto como sagrado no que diz respeito a intervenções socialmente não autorizadas, ainda que desejadas pelo seu proprietário. Mas mesmo em relação às intervenções autorizadas juridicamente, há sempre uma espécie de mal-estar em torno de quem a realizou. Nosso objetivo é colocar em xeque a ética que orienta a prática
psicanalítica, no sentido de propor uma liberdade que parece ser necessária para acompanhar as vivências de gênero e de sexo chamadas de dissidentes, assim como outras experiências corporais que denunciam os limites dos discursos médicos, jurídicos, religiosos, psicológicos e, certamente, psicanalíticos. [...]
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